Batalha do Mar de Cora 11a parte
Escrito por Sidnei Eduardo Maneta   
Seg, 04 de Março de 2013 00:00

Ambos os grupos de ataque americano e japonês conseguiram atacar seus alvos, e por volta do meio dia já estavam retornado aos seus próprios porta-aviões. Como eles voavam essencialmente dentro do mesmo corredor aéreo, obrigatoriamente ocorreriam embates entre os dois grupos.

O primeiro a ser abatido pelos caças inimigos foi o avião de observação do porta-aviões IJN Shokaku comandado pelo suboficial sênior (WO) Kenzõ Kanno. Ele tinha tomado uma decisão heroica em guiar a força de ataque japonesa até os porta-aviões americanos que ele tinha localizado várias horas antes. Kanno retornou apenas depois do tenente comandante Takahashi ter visualizado seus alvos. Conservando desesperadamente seu combustível para o longo voo de retorno ao IJN Shokaku, Kanno viu sua sorte desaparecer quando encontrou elementos do grupo aéreo do USS Yorktown que estavam retornando do ataque. Tendo voado metade da distância para retornar ao seu porta-aviões, dois pilotos de caça F4F observaram o B5N2 se aproximando em uma altitude inferior bem a frente e em sua direção. Os dois caças mergulharam em direção ao alvo para realizar uma passagem de tiro em rápida sucessão. O piloto do B5N2, o suboficial de primeira classe (PO1c) Tsuguo Gotõ, respondeu com uma manobra de ascensão na tentativa de escapar dentro da cobertura das nuvens, mas os F4F foram rápidos o suficiente para alcançá-lo. Juntos eles atingiram o B5N2 que mergulhou em chamas. O heroico Kanno e seus dois membros da tripulação pereceram. Reconhecendo seu valor, a Marinha Imperial condecorou os três tripulantes no dia 1º de janeiro de 1943, com uma carta de comenda póstuma assinada pessoalmente pelo almirante Yamamoto.

Outros dois pilotos de F4F do USS Yorktown que não conseguiram participar do ataque e retornavam a TF-17, voando por uma cobertura de nuvens observaram dois D3A1 retornado do ataque a TF-17, e que não tiveram oportunidade de se reunir com outros aviões japoneses após o ataque. Estavam sem a escolta de caças A6M2. Os F4F mergulharam em alta velocidade e fizeram suas passagens de tiro. Um dos D3A1 atingido começou a soltar fumaça e descer em direção ao mar. Por causa do pouco combustível, os dois F4F se afastaram rapidamente. Seus pilotos não puderam confirmar suas vitórias aéreas.

O piloto de um caça F4F da unidade VF-42 que acompanhava um grupo de SBD da unidade VB-5 encontrou um solitário D3A1 voando a baixa altitude em direção oposta da TF-17. O caça F4F deixou a pequena formação americana e se preparou para o ataque. Surpreendentemente, o piloto japonês não fez nenhuma manobra evasiva para evitar as balas do caça americano. Este piloto japonês parecia estar resignado quanto ao seu fim. Após infligir danos fatais, o kanbaku que soltava uma espessa esteira de fumaça, mergulhou lateralmente em direção ao mar. O piloto americano não pôde confirmar esta vitória e retornou a formação americana.

Entre as perdas japonesas naquela manhã estava o comandante Takahashi, o oficial japonês de maior patente das forças aéreas naquela batalha. Ele encontrou seu fim neste voo de retorno e não pôde dar seu relatório do insucesso do ataque contra a TF-17. Com a sua morte, a Marinha Imperial perdeu um comandante valoroso e corajoso. O almirante Yamamoto reconheceu sua contribuição e emitiu uma carta de recomendação em 1º de janeiro de 1943. Nesta carta ele relembrou a carreira de Takahashi como líder do grupo aéreo do IJN Shokaku desde o ataque a Pearl Harbor até a batalha no Mar de Coral.

Um grupo formado por doze SBD americanos avistou uma formação de seis caças A6M2 que retornavam do ataque a TF-17. Por sorte, nenhum dos pilotos de caça A6M2 viu a formação americana e continuaram em seu caminho de volta.
Os grupos de ataque do USS Lexington que retornavam do ataque também encontraram com os japoneses. Um piloto da unidade VF-2 teve a oportunidade de atacar dois D3A1 que retornavam para seu porta-aviões. Este piloto reivindicou os dois bombardeiros de mergulho como vitórias aéreas.

Um grupo formado por nove TBD que retornava do ataque foi atacado por quatro caças A6M2 a cerca de 80 quilômetros da Força Móvel MO. O comandante americano orientou sua formação para que se defendesse, descendo ao nível do mar. Esta formação defensiva permitia que todos os artilheiros traseiros pudessem atirar contra os atacantes japoneses. No primeiro ataque, dois caças “Zero” evitaram o ataque direto por causa desta ferrenha oposição, e apenas o caça do líder fez um ataque lateral tentando evitar ser alvo das metralhadoras. Depois, os outros três caças “Zero” imitaram seu líder e conseguiram acertar algumas balas nos TBD. Em contrapartida, os artilheiros americanos conseguiram atingir dois caças A6M2. Após cerca de quatro ataques, os caças japoneses deixaram a área de combate e retornaram para seus porta-aviões.

Quando os sobreviventes da força de ataque japonesa retornaram a Força Móvel MO, viram que o IJN Shokaku estava seriamente danificado, pois uma sinistra fumaça escura subia da proa e o convés de voo estava deformado. Entre 10h57 e 11h50, o grupo de ataque americano tinha conseguido acertar três bombas de 500kg neste porta-aviões japonês, ao custo de seis bombardeiros de mergulho SBD, um torpedeiro TBD e quatro caças F4F abatidos ou que amerissaram no voo de retorno.

Às 12h30, incapaz de recuperar seus aviões, o IJN Shokaku direcionou seu grupo de ataque para pousar no IJN Zuikaku, que estava intacto, pois tinha sido “escondido” por uma tempestade quando o ataque se iniciou. Mas nem todos os aviões obedeceram a ordem. Um D3A1 e um A6M2 ignoraram inclusive os alertas de bordo e conseguiram pousar no IJN Shokaku, mesmo sem o funcionamento dos cabos de frenagem.

Entre às 13h10 e 14h30, o IJN Zuikaku recuperou quarenta e quatro aviões, incluindo dez D3A1 de seu próprio grupo além de sete D3A1 do IJN Shokaku. Onze aviões muito danificados dos dois porta-aviões amerissaram. O líder dos torpedeiros do IJN Zuikaku, o comandante Shimazaki, amerissou próximo do destróier IJN Shiratsuyu. Um D3A1 do IJN Zuikaku fez um pouso forçado na ilha Tagula, e sua tripulação foi resgatada pelo porta-hidroaviões IJN Kamikawa Maru. Um caça da patrulha aérea de combate (CAP) do IJN Zuikaku amerissou em Deboyne. O cruzador pesado IJN Furutaka resgatou três outros pilotos de caça (da CAP) e as tripulações de dois D3A1 do IJN Shokaku, além de uma tripulação de D3A1 do IJN Zuikaku. Mais tarde o navio de reparos IJN Shohei Maru resgatou outra tripulação de D3A1 do IJN Shokaku.

Sem saber quantos aviões dos dois porta-aviões ainda precisavam ser recolhidos, as equipes de apoio do IJN Zuikaku começaram de maneira agressiva a lançar ao mar vários aviões – alguns com poucos danos de combate. No total, doze aviões foram lançados ao mar, sendo seis de cada porta-aviões (três caças A6M2, quatro bombardeiros de mergulho D3A1, e cinco bombardeiros torpedeiros B5N2). Neste grupo estava incluído o D3A1 do tenente Mifuku, que estava todo perfurado por balas, e também o avião do tenente Ema, que era pilotado por ele desde o ataque a Pearl Harbor, e que estava quase intacto, com apenas um dano na junção do aileron esquerdo.
Os líderes de voo estavam certos que tinham afundado um porta-aviões da classe “Saratoga”, mas incertos sobre o afundamento do segundo porta-aviões americano. O tenente Ema relatou apenas sérios danos no segundo navio, mas os oficiais de bordo decidiram reportar que os dois porta-aviões americanos tinham sido afundados.
Naquela tarde, a Força Móvel MO podia contar com o seguinte número de aviões operacionais: vinte e quatro A6M2, nove D3A1 e seis B5N2. Havia ainda um grupo adicional formado por aviões que precisavam de reparos e que poderiam estar operacionais no dia seguinte: um A6M2, oito D3A1 e quatro B5N2.
Mas Hara decidiu que um segundo ataque estava fora de questão.

Às 14h30, Takagi enviou por rádio a seguinte mensagem: “sem perspectiva de um segundo ataque hoje”. Ele retirou a Força Móvel MO em direção ao norte para reestruturar sua força de ataque sobrevivente e reabastecer seus navios. O danificado IJN Shokaku já tinha sido enviado para a direção norte junto a uma escolta desde às 12h20.

Fletcher não estava em melhor condição. Por volta das 13h00, o USS Yorktown recuperou cinco F4F, vinte e um SBD e nove TBD de sua formação de ataque. Do complemento deste navio, apenas sete F4F, onze SBD e oito TBD estavam prontos para serem reutilizados. Sabedor que os japoneses possuíam uma cobertura superior de caças e que um de seus porta-aviões estava intacto, Fletcher retirou sua força para a direção sul às 13h24.

Às 14h13, apesar de continuar a ocorrer explosões internas e incêndios, o USS Lexington recuperou o total de cinco F4F, doze SBD e dez TBD do seu grupo de ataque. Às 14h22, todavia, Fitch transmitiu um perturbador alerta, equivocado, que um terceiro porta-aviões japonês poderia estar na área para participar da batalha, levando Fletcher a decidir fazer uma retirada. O USS Lexington de maneira teimosa continuava a flutuar, mas no final daquela tarde finalmente desceu as profundezas do oceano após ser torpedeado pelo destróier USS Phelps às 19h52.
O Almirante Nimitz concordou com Fletcher a respeito de sua decisão de fazer uma retirada. Existiam indicações da inteligência que uma grande operação estaria para acontecer no Oceano Pacífico central, e ele necessitaria de todos os porta-aviões em Pearl Harbor para enfrentar este desafio.
No lado japonês, o almirante Inoue decidiu cancelar toda a operação MO. Às 15h45 ele ordenou que a Força Móvel MO não realizasse outro ataque e se retirasse na direção norte, e solicitou um adiamento indefinido da Operação MO às 16h20. Os membros do alto comando da Frota Combinada ficaram irados com a aparente falta de agressividade de Inoue. Sem saber da extensão das perdas de aeronaves, Yamamoto revogou a decisão de Inoue às 22h00 e ordenou que ele perseguisse e destruísse o restante da frota inimiga. A Força Móvel MO reverteu o curso e se dirigiu para o sul em alta velocidade após ocorrer o reabastecimento no dia 9. Mas a oportunidade já tinha passado. Seus aviões de observação encontraram apenas o USS Neosho, abandonado e a deriva. O IJN Zuikaku se dirigiu na direção norte novamente às 12h30 do dia 10 de maio.

A batalha no Mar de Coral, a primeira ação naval que foi travada inteiramente por aviões e na qual as forças de superfície nunca se encontraram, estava finalmente terminada.

BIBLIOGRAFIA:
1.Livro: FIRST TEAM: PACIFIC NAVAL AIR COMBAT FROM PEARL HARBOR TO MIDWAY - by John B. Lundstrom
2. Livro: AICHI 99 KANBAKU 'VAL' UNITS: 1937-42 - by Osamu Tagaya

 
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