Batalha do Mar de Coral 9a parte
Escrito por Sidnei Eduardo Maneta   
Seg, 04 de Março de 2013 00:00

A bordo do porta-aviões IJN Zuikaku, Hara continuou a monitorar as excelentes informações enviadas pelo oficial Kanno. Às 9h40, Kanno alertou que cerca de trinta ou mais aviões inimigos estavam voando em direção da Força de Ataque MO, alertando Takagi e Hara sobre a proximidade de um ataque iminente. Os japoneses reservaram dezenove caças “Zero” (dez do IJN Zuikaku e nove do IJN Shokaku) para a patrulha aérea de combate – CAP.
Três caças do IJN Zuikaku, que estavam sob o comando do às da guerra aérea da China, o suboficial de primeira classe (PO1c) Tetsuzõ Iwamoto, já estavam no ar, com seus pilotos tentando não perder os navios de vista em meio a névoa. Para reforçar esta shotai no caso do grupo de ataque inimigo aparecer, os porta-aviões IJN Zuikaku e IJN Shokaku mantinham treze caças A6M2 prontos para uma rápida decolagem.
Os oficiais responsáveis pela patrulha aérea de combate – CAP tinham que coordenar estas unidades sem contar com o auxílio inestimável de um alerta antecipado providenciado por um sistema de radar. O procedimento padrão era reter a maioria dos caças postados no convés de voo até que o inimigo fosse detectado, e assim estes caças decolariam para uma interceptação bem próxima. Portanto, o sistema japonês de CAP requeria uma boa visibilidade para operar em sua máxima eficiência. Para complicar sua tarefa, a questão atmosférica do dia 8 de maio estava interferindo com as comunicações japonesas de rádio, tornando mais difícil coordenar a CAP. É claro, que o mal tempo geralmente serviria como um escudo de proteção para esconder a Força de Ataque MO, provavelmente prevenindo que os americanos conseguissem atacar em conjunto. Todavia, se os americanos conseguissem localizar os japoneses, a vantagem da baixa visibilidade poderia se tornar uma complicação para o direcionamento dos caças da CAP. Seria desta maneira no dia 8 de maio de 1942.


Caças A6M2 postados no convés de voo do IJN Shokaku para serem lançados em missão

Às 9h48 a Força de Ataque MO sofreu um sobressalto, quando Iwamoto reportou aviões inimigos se aproximando do lado sul. O IJN Shokaku lançou rapidamente seis caças A6M2. Rapidamente se descobriu que os “inimigos” eram apenas aviões B5N2 que retornavam de suas missões de busca e observação. O IJN Shokaku decidiu recuperar dois caças do grupo que foi lançado e liderados pelo guarda-marinha Yasujirõ Abe e substituí-los por uma shotai formada por três caças e liderada pelo suboficial de segunda classe (PO2c) Takeo Miyazawa.

Entre às 10h15 e 10h27, o IJN Shokaku manobrou independente para conduzir estas operações aéreas, e neste processo a Força de Ataque MO perdeu muito de sua formação. O IJN Zuikaku navegava a cerca de dez quilômetros mais a frente. Os cruzadores pesados IJN Haguro e Myõkõ navegavam na retaguarda a mesma distância. Circulando a cerca de quatro quilômetros de altitude acima do IJN Shokaku estavam dois caças “Zero” liderados pelo suboficial de primeira classe (PO1c) Kenji Okabe. A baixa altitude estavam cinco caças “Zero” em duas shotais lideradas pelo suboficial de primeira classe (PO1c) Yoshimi Minami e pelo suboficial de segunda classe (PO2c) Miyazawa. Patrulhando a cerca de seis quilômetros acima do IJN Shokaku estava a 13ª shotai composta por três caças liderados pelo suboficial de primeira classe (PO1c) Iwamoto. A Força de Ataque MO cruzava um grande espaço aberto sem a cobertura de nuvens, permitindo que Iwamoto subisse bem alto e ainda conseguisse ver os navios abaixo.


Oficial japonês sinaliza com uma bandeira liberando os caças do IJN Zuikaku para decolar em missão de combate

O ATAQUE DOS GRUPOS DO USS YORKTOWN
Às 10h32 a força de ataque americana avistou a força japonesa. Voando a cerca de pouco mais de cinco quilômetros de altitude, os americanos avistaram vários caças “Zero” a cerca de três mil e setecentos metros acima do porta-aviões IJN Shokaku. Navegando a velocidade máxima, o IJN Zuikaku e suas escoltas começaram a desaparecer cobertos por uma tempestade escura que encerrava o grande espaço aberto. Os japoneses ignoravam a presença dos SBD americanos. O IJN Shokaku completou as operações aéreas às 10h30 e cautelosamente esperavam por algum acontecimento. Os caças “Zero” avistados pelos americanos eram pilotados pelo suboficial de primeira classe (PO1c) Kenji Okabe e pelo suboficial de terceira classe (PO3c) Yoshizõ Tanaka.
Prontos para decolar do convés de voo do IJN Shokaku estavam o guarda-marinha Abe e o suboficial de primeira classe (PO1c) Jinichirõ Kawanishi. De igual modo, postados no IJN Zuikaku para uma decolagem automática, estava o líder de formação, tenente Kiyokuma Okajima, com quatro caças “Zero” de sua shotai.

CAP – composição da Patrulha Aérea de Combate durante o primeiro ataque contra a Força de Ataque MO:
NO AR: 10 caças “Zero”
IJN Zuikaku: 13ª shotai - PO1c Tetsuzõ Iwamoto, PO1c Jinjurõ Ito, F1c Shichijirõ Mae
IJN Shokaku: 1ª shotai - PO1c Kenji Okabe, PO3c Yoshizõ Tanaka; 2ª shotai - PO1c Yoshimi Minami, PO2c Hisashi Ichinose e 3ª shotai - PO1c Takeo Miyazawa, PO3c Sadamu Komachi, F1c Kõichi Imamura

LANÇADOS DURANTE O ATAQUE: 6 caças “Zero”
IJN Zuikaku: 11ª shotai – Lt. Kiyokuma Okajima, PO1c Kenta Komiyama, PO2c Goro Sakaida, PO2c Saneatsu Kuroki
IJN Shokaku: 4ª shotai – Ensign Yasujirõ Abe, PO1c Jinichirõ Kawanishi

De repente a calmaria se desfez junto a Força de Ataque MO. Os vigias finalmente detectaram os aviões americanos circulando próximo, e o IJN Zuikaku enviou um alerta de rádio para os caças que voavam sobre ele. Quase que imediatamente, Iwamoto identificou os intrusos, estimando sua altitude entre cinco mil e cinco mil e setecentos metros. PO1c Okabe, cujo rádio estava com problemas de funcionamento, não ouviu o alerta da presença do inimigo. Embaixo, o IJN Shokaku manobrou bruscamente para bombordo navegando em direção contrária ao vento, enquanto os manobristas no convés de voo se apressavam para posicionar dois caças “Zero” para a decolagem. Da mesma maneira o IJN Zuikaku balançava em direção ao vento para lançar seus caças. Todavia, a shotai liderada pelo Okajima teria que enfrentar os perigos de uma decolagem em meio a uma tempestade.


Caça “Zero” do IJN Zuikaku decolando para mais uma missão de combate

Às 10h57 o primeiro grupo formado por sete SBD da unidade VS-5 iniciou seu mergulho, atacando o IJN Shokaku que estava mais próximo. Com o ataque este navio suspendeu as operações de decolagem e começou a manobrar para evitar os impactos das bombas lançadas. As baterias antiaéreas do IJN Shokaku abriram fogo, e as explosões alertaram PO1c Okabe sobre a presença do inimigo. Porém, os SBD passaram tão rápido pelos caças japoneses que PO1c Okabe desistiu de persegui-los e foi em direção dos outros SBD que ainda tentavam se aproximar do IJN Shokaku.
De uma posição vantajosa o PO1c Iwamoto observou estes SBD se destacando da formação para atacar. Seus dois alas se aproximaram dele, e juntos com o PO1c Iwamoto aceleraram para interceptar os sete SBD. PO1c Iwamoto atingiu o SBD líder e seus dois alas, suboficial de primeira classe (PO1c) Junjirõ Ito e aviador de primeira classe (F1c) Shichijirõ Mae, atingiram o segundo SBD. PO1c Iwamoto considerou ter abatido o SBD que ele atacou, porém o SBD escapou. Os pilotos americanos encontraram dificuldades na utilização da mira que ficou escurecida durante o mergulho, além do para-brisa ficar bastante embaçado. Uma a uma, as bombas de 500kg atingiram o mar, levantando grandes colunas de água parecida com geysers, que subiam acima da torre de comando do IJN Shokaku. A água do mar encharcou o convés de voo, mas este primeiro ataque falhou em atingir o porta-aviões japonês.

Além de sofrer danos causados pelas baterias antiaéreas, os SBD foram perseguidos por três caças japoneses após o mergulho de ataque e na tentativa de se evadir. Alguns SBD da unidade VS-5 foram danificados e um tripulante ficou ferido. O PO1c Iwamoto observou que estava voando muito baixo e decidiu encerrar a perseguição, retornando com sua shotai para proteger o IJN Shokaku. O PO1c Iwamoto sentiu-se realizado ao ver o IJN Shokaku navegando bravamente, sem ter sido atingido por nenhuma das bombas lançadas.


YOSHIMI MINAMI se tornou um ás com 15 vitórias aéreas. Ele morreu aos 28 anos no dia 25 de novembro de 1944, durante uma missão kamikaze contra navios americanos próximos das Filipinas. YASUJIRO ABE sobreviveu a guerra. Ele foi um forte opositor das táticas kamikazes.

Mas o castigo sofrido pelos SBD ainda não tinha terminado. Antes que pudesse alcançar uma distância segura, foram novamente atacados por quatro caças do IJN Zuikaku, comandados pelo tenente Kiyokuma Okajima. Estes caças experimentaram uma arriscada decolagem em meio a tempestade e se dirigiram em direção norte ao se distanciarem de seu porta-aviões. Ao cruzarem com a formação de SBD da VS-5, trocaram tiros em passagem frontais. Os sete SBD conseguiram escapar, apesar dos danos sofridos.
O capitão do IJN Shokaku, Joshima Takaji, ordenou o lançamento de dois caças A6M2 que estavam posicionados no convés de voo. Estes pilotos devem ter se sentido bastante aliviados após ficarem dentro de seus aviões armados e abastecidos posicionados no convés de voo durante o ataque dos SBD.

Às 11h03, a unidade americana VB-5 composta por dezessete SBD estava agora em posição para realizar seu ataque. Logo no início do mergulho, dois caças A6M2 atacaram. Além desta oposição, as miras ficaram escurecidas o que atrapalhou a pontaria dos pilotos de SBD.
O IJN Shokaku manobrava em alta velocidade, e várias bombas atingiram o mar próximo da estrutura do porta-aviões.

Às 11h05 uma bomba de 500kg atingiu seu convés de voo a bombordo, na parte frontal. O impacto envergou o convés de vôo, incapacitou o funcionamento do elevador frontal e iniciou um incêndio intenso na proa.
Outro SBD que mergulhava para o ataque, com seu piloto decidido a atingir seu alvo, foi atacado por um A6M2, que acertou uma bala de canhão de 20mm em seu tanque de combustível. O combustível começou a vazar e se incendiou. Os tiros devem ter atingido tanto o piloto como seu artilheiro traseiro. Este SBD não conseguiu se evadir da área de combate e se chocou com o mar próximo do IJN Shokaku. A bravura demonstrada deu resultado: sua bomba atingiu o IJN Shokaku a estibordo, logo atrás da ponte de comando do porta-aviões. Esta bomba causou um intenso incêndio tanto no convés de voo com no hangar superior logo abaixo. Uma certeza se tinha, que o IJN Shokaku não poderia mais conduzir operações de voo por causa dos danos sofridos. O piloto americano receberia postumamente a medalha de Honra.

Nove caças A6M2 se posicionaram ao lado da Força de Ataque MO, esperando pelos SBD que tentariam escapar da área de combate. Vários SBD foram danificados e outro abatido.
Esta escaramuça entre os “Zero” e os SBD impediu que nove caças A6M2 participassem da interceptação dos nove torpedeiros TBD da unidade VT-5 que se aproximavam para o ataque. Apenas sete caças A6M2 estariam barrando a passagem destes torpedeiros.
Quatro caças F4F da unidade VF-42 estariam dando proteção aos torpedeiros.
De repente três caças japoneses apareceram. Estes caças eram pilotados pelos PO1c Minami, PO2c Hisashi Ichinose e PO1c Miyazawa. Dois caças japoneses manobraram para interceptar dois F4F, sem notarem que outros dois F4F estavam nas proximidades.
Neste combate inicial os F4F conseguiram com suas manobras não dar chance aos A6M2 para atirarem com precisão. Um A6M2 que acompanhava seu líder fez uma manobra com certa lentidão, o que permitiu ao piloto de um F4F atirar com precisão, atingindo o “Zero” com suas quatro metralhadoras .50, de ponta a ponta. O caça A6M2 cambaleou e mergulhou de maneira estranha. O caça “Zero” girou ficando de ponta cabeça, com seu piloto morto na cabine, e suas armas atirando sem parar, mergulhou completamente até atingir o mar. Seu piloto era PO2c Ichinose, do IJN Shokaku.
O caça americano vitorioso precisou escapar do ataque de outro “Zero”, se escondendo em uma nuvem. Enquanto o PO1c Minami atacava dois caças F4F, e perdia seu ala o PO2c Ichinose, Miyazawa e sua shotai apareceram para o combate. Esta shotai se dividiu e provavelmente o PO3c Sadamu Komachi perseguiu um caça F4F dentro de uma nuvem. Miyazawa e o aviador de primeira classe (F1c) Kõichi Imamura avistaram os torpedeiros se aproximando do IJN Shokaku. Eles mergulharam para o ataque. Um terceiro “Zero” pilotado pelo PO1c Yoshimi Minami se juntou ao grupo.
Dois caças F4F perseguiram estes caças A6M2. O caça do PO1c Miyazawa foi abatido, e do PO1c Minami foi bastante danificado, com seu tanque de combustível atingido e vazando. Por precisarem se evadir da área de combate, nenhum dos caças “Zero” conseguiu atacar os torpedeiros TBD.


KENJI OKABE sobreviveu a guerra e se tornou um ás com 15 vitórias aéreas. Foi um forte opositor das táticas kamikazes. SADAMU KOMACHI também sobreviveu a guerra, tendo lutado desde o seu início até depois do término das hostilidades. Ele morreu de causas naturais aos 92 anos de idade, em 15 de julho de 2012.

O PO1c Iwamoto e seus dois alas do IJN Zuikaku subiam para se antecipar aos próximos ataques. Ele observou o combate que ocorria mais abaixo entre os caças A6M2 e F4F. Os “Zero” estavam metidos em problemas sérios, e o PO1c Iwamoto liderou sua shotai em direção deste grupo de caças. Após se dividirem, fizeram suas passagens de tiro contra os F4F. Os três pilotos reivindicaram vitórias aéreas, todavia nenhum F4F foi perdido neste combate. Este combate terminou com uma vitória incontestável para os F4F que abateram dois A6M2 e danificaram seriamente um terceiro. Além do mais, os torpedeiros TBD não foram molestados.
Às 11h08 os torpedos foram lançados sem, contudo acertar o alvo. Os torpedeiros escaparam e apenas um foi danificado pelas baterias antiaéreas.
Um caça F4F se isolou e foi perseguido por três caças “Zero”. Para escapar desta situação o piloto americano entrou no meio da tempestade. Após sofrer com a instabilidade causada pela turbulência, o caça F4F conseguiu se estabilizar e escapar dos perseguidores.

O IJN Shokaku estava enfrentando grandes problemas. Seus tripulantes tentavam dar combate as intensas chamas. Para os americanos este porta-aviões estava fora de combate. Apesar das baixas causadas pelos dois impactos de bombas de 500kg, e da inutilização do convés de voo, o IJN Shokaku continuava a navegar a alta velocidade, pois não ocorrera nenhum dano abaixo da linha d’água, nem nos motores. A situação do IJN Shokaku chocou o vice-almirante Hara.


Caça A6M2 do IJN Shokaku pilotado pelo PO1c Tetsuzõ Iwamoto.

As patrulhas aéreas de combate se reagruparam sobre a Força de Ataque MO.
A shotai do PO1c Iwamoto estava com o nível de combustível muito baixo, e ele decidiu pousar no IJN Zuikaku para se abastecer e rearmar. Esta decisão era arriscada por causa da tempestade que ainda cobria o IJN Zuikaku. O PO1c Minami, com seu caça bastante danificado, também pousou no IJN Zuikaku. Depois ele pôde agradecer ao seu amigo Iwamoto, que o resgatou daquele difícil combate contra os F4F. O tenente Okajima e sua shotai também pousaram para se abastecerem e rearmarem. As shotais foram reorganizadas e os pilotos orientados a serem cuidadosos principalmente na hora de interceptarem os torpedeiros TBD.
O ataque americano ainda não tinha terminado.

BIBLIOGRAFIA:
1.Livro: FIRST TEAM: PACIFIC NAVAL AIR COMBAT FROM PEARL HARBOR TO MIDWAY - by John B. Lundstrom

 
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