F-14A Tomcat - HobbyBoss 1/48 - Parte 1
Escrito por Júlio Martins   
Dom, 13 de Março de 2011 15:50

HobbyBoss item 80366

Introdução

O Grumman F-14 talvez seja a mais emblemática de todas as aeronaves americanas, em todos os tempos. Herdeiro e filho maior da familia de gatos da Grumman Aircraft Corporation, o Tomcat marcou era e arrebatou paixões e fãs por todo o mundo.

Não nos cabe alongar sobre a história desta magnífica aeronave. Dados técnicos e histórico estão esparramados por toda a internet, entretanto, recomendo os seguintes links:

Wikipédia, em português

Wikipedia, em inglês

The F-14 Tomcat Association, em inglês

Nossa intenção neste review é olhar a fundo o novo kit da HobbyBoss, e traçar um breve comparativo entre os modelos existentes, com ênfase no consagrado kit da Hasegawa.

Utilizei como base de pesquisa o livro Uncovering the Grumman F-14 A/B/D, da DACO Publications, por Danny Coremans. Recomendo enfáticamente a obra para todo amante do Tomcat!

Recomendo, ainda, como referências fotográficas de tudo o que indico aqui, principalmente acerca dos rebites, os seguintes walkarounds:

Aircraft Resource Center.com

Primeportal.com

Cybermodeler.com

Apresentação

O novo Tomcat HobbyBoss vem acondicionado em boa caixa de papelão rígido, grande, acomodando com ótima organização 22 árvores de plástico cinza médio, embaladas individualmente em sacos transparentes lacrados, e duas caixas em papel cinza que acomodam outras peças. Uma para as duas partes da fuselagem e outra para peças delicadas como transparências, intaques, set de photoetch, pneus... No total, se não perdi as contas, são 350 peças plásticas, 4 pneus em borracha e um fret de PE com 33 peças.

O conjunto é acompanhado por livreto de instruções em papel sulfite com 16 páginas em preto e branco, de bom passo a passo, somando-se 13 no total. Desenhos bastante compreensivos, que aparentemente não apresentarão problemas.

Cinco pequenas folhas de decais, para as duas opções de decoração. 3 são destinadas para as marcações genéricas de nação e serviço, e as outras duas com as marcas distintivas dos esquadrões.

As indicações de pintura estão dispostas em folha de papel couchet, com profiles coloridos de 4 vistas. Indicações de cores Gunze, Vallejo, Model Master, Tamiya e Humbrol facilitam a vida do modelista, atendendo as preferências da maioria de nós.

Algo que me encanta na HobbyBoss é o cuidado com a embalagem. Já ví em outros kits da marca, e neste não é diferente. Várias peças, como as delicadas pontas dos intaques, transparências e outras pequenas são protegidas por um invólucro de material macio.

A injeção plástica é consistente, não apresentando falhas ou deformidades. Pequenas marcas de ejeção em locais que trataremos especificamente serão vistas adiante.

O Kit

Nosso review será dividido em duas partes. Esta inicial está mais atenta à área externa da aeronave. Vejamos:

A fuselagem do Tomcat HobbyBoss é dividida em 9 peças principais: Fuselagem traseira, dividida em parte superior, inferior e carenagens dos intaques; a nacele, dividida em esquerda, direita, canopi e barriga e por fim, o radome.

Linha de painel em baixo relevo por toda a área externa do kit, bem demarcadas e de profundidade satisfatória, representando as separações das placas. Rebites em baixo relevo seguindo a maior parte das linhas de painel.

Quando da apresentação das primeiras fotos deste kit na web, muito se falou dos rebites, e não vamos fugir do assunto.

Esta questão, ao meu sentir, não é mera opção de "gosto". Rebites e linhas de painel são detalhes expressivos de qualquer réplica. Talvez uma das maiores reviravoltas do mercado se deu com eles, quando as empresas deixaram os detalhes em alto relevo de lado e optaram pelo baixo relevo.

Neste sentido, a moda ultrapassou limites, e a acuidade foi deixada de lado em prol da estética. Representações de relevos reais foram substituídos nos kits por baixo relevo, que facilitam a montagem, são extremamente mais simples de replicar pelo modelista no caso de perda do detalhe por lixamento e, depois de montado e pintado, podem ser realçados com facilidade.

Mais recentemente, algumas empresas, notadamente a Trumpeter e sua afilhada HobbyBoss, vem soltando modelos no mercado completamente rebitados, muito além do real.

No caso do Grumman F-14 Tomcat, parafusos, rebites e painéis podem variar, de muito realçados para completamente apagados em áreas diversas, até mesmo variando na mesma aeronave. Existem áreas de acesso onde os parafusos são mais mexidos, e em outras onde os rebites são eliminados, como também as juntas das placas.

A crítica que se faz ao rebitamento do tipo que a HobbyBoss apresenta no kit é justamente o exagero e o cuidado com a estética, deixando de lado a acuidade.

Dorso:

Rebites apresentados apenas em algumas placas. É certo que algumas destas placas são mais destacadas no F-14. A área sobre o pivô da asa, especificamente, não apresenta rebites, enquanto todas as restantes sim. Ponto para a HobbyBoss.

Já no bordo de ataque a coisa é mais complexa. Muitas aeronaves apresentam aquela área calafetada em massa, e a representação na pintura mostra manchas e variações tonais por todas aquelas linhas de painel.

No kit, rebites na parte superior do bordo de ataque, mas na parte de baixo não os temos. O que pensou a HobbyBoss?

Outro detalhe do dorso são os 4 reforços estruturais sobre a área do pivô. Estes "stiffeners" apresentados no kit estão corretos, e ao meu ver, de tamanho adequado, apenas para bloks 70 e adiante. Versões iniciais usavam estes reforços mais altos.

Barriga:

Diferentemente do dorso, a parte baixa apresenta bem menos rebites. Nem mesmo as placas de acesso mais frequentes da manutenção as apresentam, e é alí que esperávamos vê-los!

Para o modelista apaixonado pelo Tomcat, na boa 1/48, o detalhe que mais lhe tira o sono é a área do intaque e toda a carenagem da turbina. O Hasegawa já foi terrivelmente criticado e relegado por conta disso, entretanto a empresa japonesa refez seu molde, e o terror reduziu consideravelmente. Nos kits mais novos, o encaixe da carenagem é bom.

Aqui a HobbyBoss tentou acertar. Note o dente de sustentação para encaixe da carenagem do intaque na carenagem da turbina. O encaixe é muito bom, mas não perfeito. Cuidado, sobra um leve degrau alí.

Na parte frontal dos intaques, as rampas de contenção do fluxo de ar estão na posição correta para aeronaves estacionadas, representação utilizada em talvez 90% dos modelos.

Esta rampa deve estar totalmente recolhida para permitir o maior fluxo de ar possível na alimentação da turbina. A partir de velocidade Mach .5, elas baixam, reduzindo a entrada de ar, evitando assim a superalimentação. No kit Hasegawa, estas rampas estão originalmente posicionadas para as altas velocidades, ou seja, aeronave pousada com rampa baixa, só em casos de manutenção ou outros especiais.

A parte interna do intaque será o único detalhe mais "escondido" que veremos nesta primeira parte. Duas peças lisas e bem injetadas, mas com marcas de ejeção justamente onde não deveriam aparecer formam o cone de entrada de ar para a turbina.

As peças apresentam grande avanço frente ao kit Hasegawa, uma por conter pinos guias, outra pois os mal fadados pinos de ejeção são bastante leves. Este cone se encaixa dentro da carenagem do intaque, e não pode apresentar nenhuma irregularidade superficial. Alí, a velocidade do ar exige fluxo desimpedido. Igualar e lixar toda aquela área e eliminar emendas depois de montada é trabalho duro, mas aqui parece ser mais simples que o Hasegawa.

Nacele

Rebites e mais rebites, mas aqui, tudo parece está no lugar. São muitos os painéis de acesso nesta área e os parafusos alí se destacam mesmo.

A lateral esquerda, onde se alojam canhão, escadas de acesso e outros aviônicos foi toda recortada e apresenta painéis abertos. Gosto ou praticidade? O fato é que os encaixes não são perfeitos, e o modelista deverá ter cuidado extremo ao colar. Ou erra ou acerta, não tem outra opção. Montagens na web demonstram isso, e não vou aqui duvidar da capacidade dos modelistas.

O ideal seria uma outra peça da fuselagem, com os painéis apenas desenhados, deixando esta aberta para uso alternativo.

Na escada do co-piloto, destaque para o reforço estrutural ao redor do degrau. Este reforço só está presente em aeronaves modelo B. Modelos A e D podem ou não tê-lo, portanto, verifique suas referências.

Outro detalhe que se deve atentar no Tomcat são as janelas de exaustão dos gases do canhão. O kit apresenta apenas a opção para modelos iniciais, com duas grandes janelas. Nos blocks muito iniciais são 7 pequenas janelas, já os blocks finais da série A apresentam as "NACA". Consulte suas referências e atenção para a versão escolhida.

Na face direita, há a opção de montar aparente a sonda de reabastecimento em vôo. Bem representada, bons detalhes.

Na parte baixa da nacele, porta do trem de pouso correta para a versão A inicial, com o blister da antena ECM. Mais uma vez, verifique suas referências.

Canopi

Em transparência de excelente qualidade. Como em todo canopi deste formato, fina linha de emenda no topo. Aqui está discretíssima, mas mesmo assim precisa de tratamento. Na área da armação metálica, o plástico tem tratamento diferenciado, restando ligeiramente fosco.

Como dito anteriormente, bacana o cuidado com a proteção da peça. Mesmo dentro do saco plástico, material protetivo envolve as principais peças.

O formato geral é muito bem resolvido, tanto na parte móvel quanto no parabrisas. Gostei.

Radome

Também chamado de nariz, é a parte envoltória do radar.

O radar pode ser montado aparente ou não. As peças que o compõe são bem detalhadas, podem apresentar pequena mobilidade e ao final, photoetches complementam o trabalho. Em repouso, o radar deve apontar para cima.

Na ponta, o medidor de velocidade chamado "Alpha Probe" tem tamanho e formato adequados. Atenção pois este item apenas aparece a partir da aeronave 173. As anteriores não a utilizam.

Ainda sobre radar, vamos aos pods do queixo do Tomcat (Chin Pods). Sete são as variantes possíveis para o Tomcat, ignorando o utilizado no protótipo. Eles contém o IR seeker (infra vermelho), luz de posição e antena ECM.

A única versão ofertada pela HobbyBoss é a do pod utilizado nos modelos iniciais, dos muito "early" mesmo. Contém antena ECM e luz de posição. Nem o seeker possui.

A limitação de opções é brutal, causada pela combinação de um único pod e uma única janela de exaustão de gases do canhão. Fatalmente você ficará na mão e deverá escolher entre alterar o pod do queixo, que aliás, é básico e ruim, ou deletar o Alpha Probe. Considere um pod de resina ou sucateie de outro kit.

Asas e superfícies de controle.

Sempre comparando com o kit Hasegawa, este HobbyBoss propõe um novo sistema para o pino pivô das asas. É possível montar com o movimento de enflechamento variável. Flaps, ailerons e slats são apartados e possibilitam a montagem em posições diversas.

Deriva e profundores sofrem do mesmo mal: Não foram feitos em peça única, sendo necessária montagem tipo sanduíche.

Já as asas, bem como a deriva e o profundor, sofrem de outro mal ainda maior: Rebites, que aqui não deveria haver nenhum! São superfícies lisas no avião real.

Freio aerodinâmico pode ser montado aberto ou fechado. Na casulo da fuselagem, correta representação dos detalhes. Na verdade, as duas placas centrais deveriam ser em relevo, mas o que temos não complica.

Já a parte móvel apresenta marcas de ejeção que comprometem sua qualidade. A superfície interna da mesma deveria ser lisa e mais larga.

Dimensões e forma.

Comparando sempre com as plantas da DACO e o kit Hasegawa, que sempre foi tido como perfeito neste quesito, verifico que pode até haver encaixe das peças da fuselagem traseira entre um e outro kit. Tamanho e formas que julgo corretas na fuseagem e nas asas, tanto em dimensões laterais e comprimento, bem como na curvatura da espinha que desce do canopi, e também no formato das carenagens da turbina.

O radome tem formato bem representado. Confere em tamanho com plantas da DACO e em circunferência com o Hasegawa.

Deriva confere com as plantas da DACO, sendo ligeiramente menor que a da Hasegawa. Profundores entretanto, extrapolam a planta da DACO, que confere com o Hasegawa.

Apliquei um dos novos decais FCM na deriva para testar as diferenças entre os kits Hasegawa e HobbyBoss. Falta no comprimento, mas sobra na largura. Minha intenção aqui é apenas demonstrar o aproveitamento do excelente decal nacional, que foi desenhado para o kit Hasegawa, no novo kit. O decal foi aplicado diretamente no plástico, sem tratamento prévio ou posterior.

 

Conclusões da 1ª parte.

Demorei muito tempo para formar opinião sobre este kit. Estou com ele desde início de fevereiro e só agora consegui ir mais a fundo, como o Tomcat merece.

1. Rebites, que de primeira hora me pareciam exagerados, já não parecem tanto. Entretanto, nas asas, deriva e profundor, sua existência é inaceitável, e devem ser retirados dalí.

2. Forma e tamanho condizentes com a escala.

3. Complexidade dos painéis de acesso na face esquerda da nacele pode comprometer o resultado final. Muito cuidado.

4. Me pareceu boa a solução dos intaques.

5. Reforços estruturais do dorso e na escada, Alpha Probe, janelas de gás e chin pod com opções únicas limitam o kit. Dependendo da versão escolhida, e o FCM vem nos brindando com muitas opções de decal para F-14, não existe possibilidade "in box" para configurações variadas.

A segunda parte vem por aí, com as áreas internas, sistemas de armas, versões de pintura e demais detalhes.

 

Agradecemos a LUCKYMODEL pelo modelo deste review.
 
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