Italian CV3/33 Tankette (Serie II) Early Production - Bronco Models 1/35
Escrito por Nélson Rapello   
Qui, 30 de Julho de 2009 00:00

 

 

O VEÍCULO

Os Carros Veloces Fiat-Ansaldo

DESENVOLVIMENTO DO PROJETO

Durante os anos 20 a Italia adquiriu quatro blindados Carden Loyd Mk.IV de fabricação inglesa para efeito de avaliação. Uma vez tendo ficado o Regio Esercito satisfeito com os resultados arranjos foram feitos para o licenciamento da produção por parte da indústria italiana, ficando a montagem dos veículos a cargo da Ansaldo de Genova e a Fiat de Turim ficou responsável pela produção de parte dos componentes. A versão italiana recebeu a designação Carro Veloce CV.29, sendo o 29 uma referência ao ano do início da produção, 1929, dessa versão inicial foram produzidas 21 unidades.

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O Carden-Loyd Mk.IV

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O Carro Veloce CV.29

No entanto as pretensões colonialistas da Italia dos anos 30 ditava a necessidade de melhorar e ampliar o número de veículos blindados de seu exército. Para tal o consorcio Fiat-Ansaldo projetou uma série de melhorias a serem aplicadas ao projeto original dos Carros Veloces vindo resultar na versão CV.33. Estes eram dotados de um motor a gasolina Fiat-SPA CV3 de 43HP, pesavam cerca de 3,2 toneladas, atingindo a velocidade máxima de 42km/h e uma autonomia de 125km, tendo sido originalmente armados com uma metralhadora Breda de 6,5mm. Cerca de 300 CV.33 foram produzidos ao todo.

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Carro Veloce CV.33

Em 1935 uma nova versão com alguns aperfeiçoamentos foi lançada sob a designação CV.35, as principais diferenças para o CV.33 foram a aplicação de rebites e solda nas chapas no lugar de parafusos, e a modificação do armamento original para duas metralhadoras Breda de 8mm, sendo que vários CV.33 receberam atualizações que os tornaram compatíveis com os CV.35. Tendo sido ao final a versão CV.35 a numericamente mais importante dentre o Carros Veloces.

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Carro Veloce CV.35

Ao curso de 1938 ambas as versões passaram a ter o prefixo da sua designação alterado para L3, L de Leggio (ligeiro) e 3 de 3 toneladas, passando a partir de então a serem chamados L3/33 e L3/35 respectivamente. Ainda em 1938 foi lançada a versão L3/38 que era equipada com uma metralhadora Madsen de 13,2mm e uma nova suspensão por barra de torsão. Porém as evidências demonstram que poucos veículos dessa versão chegaram a ser produzidos.

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O L3/38

OUTRAS VARIANTES

- L3 cc Controcarro

A versão anti-tanque L3cc foi desenvolvida a partir da experiência adquirida durante a Guerra Civil Espanhola, nos confrontos com os tanques BT-5 e T-26 russos usados pelos republicanos. Nesses confrontos ficou clara a necessidade de adoção de um armamento que fosse capaz de perfurar a blindagem dos tanques russos. Embora a adaptação do rifle antitanque Solothurn de 20mm tenha ocorrido tarde demais para ser usada na Espanha, os poucos veículos adaptados acabaram sendo empregues nos combates do norte da Africa.

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L3 Controcarro


- L3 lf Lancia Fiamme

O L3 lf foi desenvolvido em 1935 e consistia da substituição de uma das metralhadoras por um lança chamas, ficando o depósito do líquido inflamável montado em um trailer que era rebocado pelo próprio veículo. Nas versões posteriores o reservatório de inflamável passou a ser montado sobre o compartimento do motor. Essa versão foi usada na Abissínia, Espanha, França, Balcans e norte da África.

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L3 Lanciafiamme


- L3 Carro Radio

Carregava um rádio RF-1-CA na parte de trás.


- L3 Carro Veloce Recupero

Projetado para ser um veículo blindado de recuperação, não chegando a ser produzido.


- L3 Passerella

Rebocava um trailer com uma ponte de 7 metros dividida em 4 partes que seriam montadas em 10 minutos, alguns protótipos foram testados não chegando ao estágio de produção.

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L3 Passerella


- Semovente L3 da 47/32

Consistia da remoção da superestrutura para a adaptação de um canhão anti-tanque de 47mm, apenas um veículo foi testado nessa configuração.

A PRODUÇÃO

No total entre 2.000 e 2.500 tankettes CV/L3 foram produzidos nas suas diversas versões, tendo sido o seu principal usuário o Regio Esercito. Porém os Fiat-Ansaldo acabaram demonstrando ser um sucesso comercial e foram exportados para outros países como Afeganistão, Austria, Bolivia, Brasil, Bulgaria, China, Hungria, Iraque e a Espanha Nacionalista de Franco.

O USO OPERACIONAL

Tendo tido seu batismo de fogo em 1934 contra os Etíopes na Somália, posteriormente dois batalhões de Carros Veloces foram enviados a Espanha como parte do apoio italiano as forças nacionalistas, ao retornarem a Itália em 1940 esses batalhões se tornaram a base da divisão blindada Littorio. Os L3 também foram usados pelos chineses contra os invasores japoneses, na guerra eslovaco-húngara, na guerra anglo-iraquiana e nas campanhas italianas no norte da África, Balcans, Rússia, Sicília e Itália continental. Outros tantos foram capturados e usados contra os próprios italianos pela Albania e Grécia e finalmente veículos remanescentes do Regio Esercito foram empregues tanto pela Wehrmacht como por unidades da RSI após a captulação da Italia em 1943.

De uma maneira geral os L3 se mostraram de pouco valor tático e obsoletos quando comparados aos seus oponentes desde o início de seu emprego em combate. A sua principal falha estava na fraca blindagem de 13,5mm que o deixava vulnerável até mesmo as armas de infantaria, a pouca mobilidade do seu armamento principal demonstrou também ser um fator bastante limitador do seu uso operacional. Não obstante, face a falta de equipamento mais adequado, acabou tornando-se pau para toda obra para o Regio Esercito nas suas diversas campanhas travadas ao longo da Segunda Guerra Mundial.

O EMPREGO DOS FIAT-ANSALDO NO BRASIL

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Em 1938 por recomendação do General Waldomiro Castilho de Lima, que havia servido como observador militar das operações italianas na Abissínia, foram encomendados 23 blindados CV.3.35 Serie II. Esses veículos foram destinados ao equipamento do Esquadrão de Auto-Metralhadoras do Centro de Instrução de Motorização e Mecanização baseado em Deodoro no Rio de Janeiro, sob o comando do Capitão Paiva Chaves. Vindo portanto a se tornar a 1ª subunidade mecanizada da cavalaria brasileira.

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Dos 23 blindados, 18 eram equipados com 2 metralhadoras Madsen de 7mm e os outros 5 com uma única metralhadora Breda de 13,2mm. O esquadrão completo era formado por 4 pelotões, tendo cada um destes um dos naipes do baralho como símbolo, os quais eram pintados em um círculo branco nas laterais dos carros. Cada pelotão dispunha de 4 carros equipados com metralhadoras Madsen e 1 com metralhadora Breda, sendo a tripulação de cada um dos carros de 2 homens.

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Esses veículos foram utilizados na instrução e formação do pessoal até 1942, quando foram substituídos por equipamento mais moderno de origem norte americana. Apesar das suas deficiências e do curto espaço de tempo em que foram empregados nessa unidade, seu papel foi fundamental para o início do desenvolvimento da filosofia do emprego de blindados no Brasil, vindo de uma certa forma compensar os erros cometidos durante a primeira tentativa de implementação de uma força blindada no Brasil com os Renaults FT-17.

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Após 1942 parte dos blindados remanescentes foram enviados para Recife para compor o Esquadrão de Reconhecimento da Ala Motomecanizada do 7º Regimento Cavalaria Divisionária. Retornando posteriormente ao Rio de Janeiro onde permaneceram em operação até o final da Segunda Guerra Mundial. Posteriormente alguns destes foram cedidos a Polícia Militar do então Distríto Federal onde permaneceram em uso até os anos 50. Outros tantos foram cedidos em 1948 a República Dominicana e outros ainda foram usados como alvo de prática de artilharia e lança chamas.

Felizmente alguns dos CV.35 brasileiros sobrevivem até hoje no Rio de Janeiro, um no Museu Conde de Linhares, outro na entrada do 15º Regimento de Cavalaria Mecanizada, na Escola de Material Bélico e na Academia Militar de Agulhas Negras, sendo que os dois últimos encontram-se em condições de funcionamento.

REFERÊNCIAS:

- wwiiveicles.com;
- Wikipedia;
- Comando Supremo;
- Consolidação dos Blindados no Brasil – Expedito Carlos Stephani Bastos


FIAT-ANSALDO DO MUSEU CONDE DE LINHARES

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Mais fotos em nosso Walk-Around

O kit da Bronco Models:

A embalagem contém 216 peças em plástico bege, distribuídas por 5 árvores, 2 em plástico transparente e 10 em photo-etche. A qualidade da injeção é excepcional, praticamente sem rebarbas e as peças têm a sua espessura compatível com as partes a que representam, algumas delas são tão pequenas e delicadas que chega a ser difícil o seu manuseio.

Os detalhes representados são de excelente qualidade, estando os rebites da superestrutura no tamanho adequado a escala e ainda de quebra a Bronco chegou ao absurdo de moldar o nome “ANSALDO” em alto relevo entre os links das esteiras, um detalhe que de tão diminuto só é visível com uma lente de aumento.

As esteiras são em plástico injetado, dividida em pequenas seções que tem uma aparência bem superior as de vinil, sem ter as complicações da montagem das esteiras link by link.

O conjunto de rodas tratoras, roletes tensores e de retorno também é de excelente qualidade e bem convincente quando comparado com as fotos dos veículos preservados.

As duas peças transparentes formam as lentes dos faróis que ficavam a frente do compartimento da tripulação. O conjunto de photo-etche vem protegido por uma película transparente que minimiza o risco de oxidação durante o tempo de estocagem e nele estão representadas peças do motor, interior e detalhes da superestrutura.

No entanto o melhor do kit está no seu interior, o motor FIAT e o sistema de transmissão são composto por quase 1/3 das peças do kit e de tão bem feitos nos deixam tentados a montá-lo com todas as tampas abertas. O interior do habitáculo do carro aparentemente era sumário e me pareceu adequadamente representado com os assentos, magazines de munição, sendo que os pedais são feitos em photo-etched.

A folha de instruções é formada por um livreto com 15 páginas impressas em papel semi-brilhante de excelente qualidade, sendo que três dessas são impressas em cores. As etapas de montagem estão claramente explicadas nas seqüências de desenhos, com indicações das cores do interior e dos detalhes das partes da mecânica.

Embora as instruções só mencionem duas versões de pintura usadas no norte da África em 1940, na folha de decalques vem quatro opções diferentes de marcações táticas e três seqüências numéricas de 0 a 9 que permitem a realização de vários outros carros, a princípio todos referentes ao norte da África.

CONVERSÃO PARA A VERSÃO BRASILEIRA:

Observando-se as fotos de época dos Fiat-Ansaldo percebe-se que havia pequenas diferenças entre eles independentemente do modelo a que pertenciam. Em parte isso se deve ao fato de vários CV.33 terem sofrido diferentes upgrades para ficarem mais próximos aos CV.35, além disso foram usados diferentes procedimentos de montagem nas superestruturas como porcas, rebites ou solda de carros de um mesmo modelo. Todos esses fatores acabam tornando muitas vezes difícil determinar qual é o modelo correto de um determinado veículo. Isso tem ocorrido inclusive com os carros que vieram para o Brasil, haja vista que algumas fontes se referem a eles como sendo CV.33-3 enquanto outras os definem como sendo CV.35 Serie II.

No entanto independentemente de qual seja a nomenclatura usada, a comparação do kit com as fotos dos veículos preservados nos possibilita identificar quais as modificações necessárias para fazer os veículos usados no Brasil.

Ao observar-se o kit percebe-se claramente que a intenção do fabricante foi representar um veículo típico do teatro do norte da África, que tinha como característica principal o compartimento da tripulação soldado, portanto havendo o mínimo de rebites nessa área. Ao que parece a Bronco se inspirou nessas fotos desse veículo que foi capturado pelos ingleses.

Entretanto nos modelos que vieram para o Brasil esse compartimento era montado exclusivamente com rebites e tinha a parte de trás mais plana do que a da versão do kit.

Outras diferenças também podem ser percebidas nas vigias do painel traseiro e no duto de ventilação da cabine. As portas de acesso da tripulação também têm detalhes diferentes na parte de cima. Cabe observar ainda que o armamento principal que vem no kit são duas metralhadoras Breda de 6,5mm e que nos veículos brasileiros ou foram usadas duas Madsen de 8mm ou uma Breda de 13,2mm, ambas com canos diferentes dos do kit. A esse respeito ainda chamo a atenção para o fato de que aparentemente nenhum dos Ansaldo que restaram aqui ainda está com os canos originais das metralhadoras instalado, sendo mais prudente usar fotos de época como referência ao reproduzi-las.

As demais partes do kit aparentemente são as mesmas usadas nos carros brasileiros, não havendo necessidade de grandes modificações a serem feitas. Apesar da conversão ser um pouco trabalhosa, não chega a ser das mais difíceis para que possui alguma experiência com scratch.

CONCLUSÕES:

Foi uma grata surpresa para mim saber que finalmente algum fabricante havia lembrado de fazer um kit desse carro, que até então se encontrava relegado ao esquecimento apesar de ter sido amplamente empregado não só pela Itália durante a guerra, mas também por outros países. Isso vem a demonstrar a tendência atual dos fabricantes de saírem do lugar comum aumentando o leque de opções para o mercado consumidor. A surpresa ficou ainda maior ao constatar o cuidado que a Bronco dedicou a elaboração do kit, tornando-o extremamente atraente pela qualidade dos detalhes representados.

Cabe ainda lembrar que outros fabricantes também lançaram recentemente vários modelos de tankettes de outras nacionalidades e que podem formar um interessante conjunto com esse em uma coleção de blindados.

O modelo por si só já representa com fidelidade uma das versões mais usadas no norte da África, o que é bem documentado em fotos da época, e que possivelmente também tenha atuado em outras frentes. A conversão para o modelo brasileiro é bastante viável e ainda deixa em aberto a possibilidade de alguém lançar mais cedo ou mais tarde um set de conversão em resina e os decalques necessários para representar os veículos brasileiros. Todas essas razões tornam o kit bastante recomendável.

 


Obriogado a LUCKYMODEL pelo modelo deste review.


Kit ofertado pela Luckymodel
 
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