Fokker D. VII (MÁG) – Eduard 1/48 (1147)
Escrito por Júlio Martins   
Qui, 06 de Maio de 2010 00:00

Eduard 1147

Breve histórico:

Recentemente revisamos o Fokker D. VII (OAW) 1/48 da Eduard, e um pequeno histórico do desenvolvimento da aeronave pode ser lido aqui. Hoje quero me ater especificamente ao modelo MÁG - Magyar Általános Gépgyár (Companhia Húngara de Máquinas), uma por ser a história do modelo em comento, outra, pois a Eduard dispensa nesta edição um livreto dedicado à história da aeronave.

Tudo começa na seleção mencionada no artigo indicado, quando foi escolhido o Fokker V11 (protótipo do D. VII), como nova aeronave operacional da Alemanha.

Naquele momento, um oficial Austro-Hungaro presente, também recomendou sua compra por seu país. A Fokker aceitou a produção de quarenta unidades por mês, desde que o suprimento de matéria prima fosse atendido, mas confidenciou que tinha um outro protótipo para apresentar aos Austro-hungaros, exatamente o V22, que na verdade, era o V11 movido pelo motor Austro-Daimler de 225hp, bem mais potente que o motor Mercedes D. IIIa de 170 hps em operação para os alemães. Inicialmente, 600 unidades foram encomendadas para entrega entre dezembro de 1918 e março de 1919.

No final de outubro de 1918, seis fuselagens completas do D. VII foram enviadas à MÁG para serem equipadas com os motores Austro-Daimler, seus correspondentes radiadores e metralhadoras Schwarzlose. Estas seis aeronaves eram cobertas em lona pintada com losangos de quatro cores. A Grande Guerra terminou antes de estas aeronaves serem entregues às forças Austro-Hungaras (armistício de 11 de novembro de 1918).

Entretanto, ainda durante a Grande Guerra a MÁG iniciou sua própria fabricação do D. VII em duas versões, mono e bi-place, que eram finalizadas em lona natural, sem pintura.

Registros apontam que aproximadamente 26 monoplaces e 10 bi-places foram fabricados.

No início de 1919, as forças húngaras se envolvem em conflitos com o exército tchecoslovaco, e contra o exército romeno na região da Transilvânia. De acordo com a conferência de paz de Paris, em março de 1919, os húngaros deveriam deixar a disputa territorial, em consequência, o governo ruiu, assumindo um novo governo comunista, que ignorou o tratado de paz e as batalhas recomeçaram, estendendo-se até final de julho. Neste conflito, todos estes Fokker D.VII MÁG viram combate.

Trata-se então, de uma aeronave desenvolvida no período da WWI, mas utilizada apenas no período entre-guerras.

Curioso lembrar que, se a Grande Guerra inicia com o assassinato do Arqueduque Ferdinando da Áustria em 1914, herdeiro do trono Austro-Hungaro, para nós amantes da aviação, o término daquele doloroso conflito passa pelas aeronaves D.VII Austro-hungaras MÁG.

O kit:

Basicamente, temos o excelente Fokker D. VII da Eduard de volta. Mas não é um simples “rebox”. Várias fábricas durante a Grande Guerra construíram os D. VII, e a característica desse fato é que, muitas peças sequer são intercambiáveis entre as fábricas. Cada um tem sua peculiaridade, e a Eduard respeita estas diferenças representando isso em seus D. VII. Com o MÁG não podia ser diferente. Aos meus olhos, é o mais diferenciado de todos.

A apresentação em caixa grande e firme contém dois kits completos para o Fokker D. VII MÁG, máscaras de pintura, decais, instruções e photoetches coloridos. São 104 peças plásticas para cada aeronave, divididas em 5 galhas, sendo absoluta novidade as galhas G e X, com fuselagens, radiadores, hélices, armas e motores específicos.

Cockpit completo em detalhes como piso, cadeira, estruturas, manche, detalhamento em PE, painel em PE colorido, cintos de segurança em PE colorido, instrumentos de vôo em PE colorido. Tudo muito delicado e completo.

A fuselagem externa apresenta, principalmente na nacele, sua estrutura diferenciada. Como este motor é maior que o Mercedes D. IIIa, a parte superior da nacele pode ser destacada, o que deixa todo o detalhamento a vista. Neste caso, um lado da fuselagem já é cortado e o outro é fechado. Se quiser abrir, tem que cortar, e se quiser fechar, tem que colar um tampão. A Eduard dificultou aqui. Creio que ambos os lados deveriam ser abertos, pois é este o grande diferencial. Quem quiser fechar adiciona o pequeno tampão, mas para cortar, alí, fica delicado, e não há linhas direcionando o corte.

Existe ainda um pequeno aumento de área na parte do “queixo” do avião.

A montagem do motor de 225 Hps é o coração do kit, sua grande diferença frente aos demais Fokker D. VII.

Aqui o detalhamento é de alto nível e vai além do que muitos esperam ver em kits da WWI. São 20 peças plásticas e de PE apenas para a construção do Austro-Daimler de 225 hps!

O refinamento das peças é incrível, com pistões, estruturas, rebites e toda a sorte de detalhes. Mais da metade do motor ficará aparente depois de montado! Que me lembre, nunca vi um motor em linha, moldado em plástico, com a qualidade deste. Espetacular!

A título de curiosidade, a última foto apresenta o Mercedes D.III, também disponível no kit.

O radiador do Austro-Daimler também é diferenciado, assim como seu escapamento. O grande radiador vem todo em plástico, mas temos PE para sua grelha frontal se assim o modelista preferir, e são dois tipos distintos.

Armas também são diferenciadas. As Schwarzlose de cano longo são extremamente interessantes, assim como a Vickers que equipa uma das versões tchecas. Achei estas novas armas injetadas mais bem detalhadas e delicadas que as Spandau da própria Eduard.

Por se tratar de uma aeronave já obsoleta no entre-guerras, algumas das versões apresentadas na caixa são desarmadas, utilizadas para treinamento em solo.

No quesito 'hélices' temos três novidades (sete no total, quatro para a caixa de reservas). Para os MÁG, as opções são a Sigma, Heiduk e a quadripá Knoller-Jarray.

Trem de pouso também é diferente dos OAW e Albatros. Maiores e mais robustos.

No mais, asas, profundores, deriva, leme e ailerons são os mesmos das outras versões da série, utilizando as mesmas galhas. Superfícies de controle são montadas em separado para maior vida ao modelo.

Pintura e decais:

São 8 versões possíveis para 3 países, com histórias curiosas para cada uma.

Exército Vermelho Húngaro: Duas aeronaves distintas. A primeira, com losangos tem fuselagem de fabricação alemã, a segunda, em lona natural, sem pintura, tem fuselagem da MÁG.
8. Vörös Repülöszázad, Exército Vermelho Hungaro, 1919
93.07, Exército Vermelho Hungaro, 1919

Tchecoslováquia: uma única aeronave com diversas pinturas, por 4 anos de serviço, em lona com losangos alemã, ou lona pintada em verde, marrom e castanho.
W.Nr. 3867, Força Aérea Tchecoslovaca, verão 1919
W.Nr. 3867, Força Aérea Tchecoslovaca, outono 1919
W.Nr. 3867, Força Aérea Tchecoslovaca, 1920
W.Nr. 3867, Força Aérea Tchecoslovaca, primeiro encontro aéreo, Setembro de 1921
W.Nr. 3867, Força Aérea Tchecoslovaca, verão de 1922
W.Nr. 3867, Força Aérea Tchecoslovaca, verão de 1923
W.Nr. 3867, Força Aérea Tchecoslovaca, final do verão de 1923

Romênia: todas em lona natural sem pintura.
93.18 Força Aérea Romena, 1919/20
93.16 Força Aérea Romena, Ten. Bontescu, 1920

Os decais são Aviprint, da Republica Tcheca, com cores firmes, registro perfeito, pouco filme, fáceis de aplicar, possuem set completo das marcas de serviço, insígnias, instrumentos de vôo, decorações do hélice. Um único set de losangos, ou seja, das duas aeronaves possíveis de montar com este Combo, uma será de pintura, outra tem a possibilidade de ser decalcada.

Instruções em passo a passo simples de seguir, não apresentarão dificuldade. A novidade dos demais lançamentos especiais que a APRJ tem revisado é que, neste, temos um livreto colorido sobre a história do Fokker D. VII MÁG na Europa central, com fotos do serviço e momentos históricos, em papel couché de 16 páginas tamanho A4, onde também estão dispostas as versões de pintura em profiles completos.

As instruções de montagem vem apartadas, em papel sulfite preto e branco, com 8 páginas tamanho A4 de ilustrações grandes.

Conclusão:

A temática que envolve o lançamento é o seu grande atrativo. Pelo ineditismo deste kit e pelo alto nível de qualidade do pacote, temos um verdadeiro campeão!

O Fokker D. VII da Eduard é, sem dúvida, um de seus melhores kits, e na minha opinião, este MÁG é o mais bonito e interessante deles. Devido ao espetacular motor Austro-Daimler, as metralhadoras Schwarzlose de cano longo e o trem de pouso avantajado, parece um “Hot-Rod” comparado aos outros D. VII.

Bem verdade que as pinturas possíveis não são assim tão atrativas como as dos belos modelos alemães da WWI...

Comparando as galhas de outros lançamentos, noto algo curioso: Se misturar o que sobra da montagem do D. VII OAW com um kit MÁG, monta-se outro OAW. A única peça faltante será o escapamento OAW (peça D8).

É uma aeronave quase sem cordões, o que facilita a montagem para qualquer iniciante. Altamente recomendado!

Obrigado Eduard pelo exemplar para review!

 
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