Churchill Mk.III - AFV 1/35
Escrito por Flavio Fernandes   
Qua, 16 de Dezembro de 2009 00:00

 
Item n. AF 35153

O “Churchill” surgiu ainda no período entre as duas guerras, e como parte da doutrina inglesa para o emprego de tanques em combate, as especificações exigiam um tanque pesadamente encouraçado, com capacidade de se mover em terrenos castigados pela artilharia e deveria sobrepor obstáculos facilmente. Para seu dever de acompanhar a infantaria nos raids ao estilo da 1ª guerra, não havia necessidade de um armamento tão forte, nem de se deslocar velozmente. Assim nasceu o “Churchill”.

Os primeiros protótipos foram logo desacreditados depois da invasão alemã na polônia e na França. Os ingleses testemunharam as novas táticas que os alemães traziam ao campo de batalha, e ordenaram rapidamente um novo pedido. Com a iminente invasão alemã, e frente ao fiasco de Dunquerque, onde muitos veículos foram perdidos, os ingleses se viram na necessidade de acelerar a produção dos tanques, e o “Churchill” nasceu assim, prematuro.

As primeiras versões (MkII) foram utilizadas no desembarque em Dieppe. Eram armadas com um canhão de 3 libras e um obuseiro (instalado no casco). O fiasco da operação quase afundou o projeto do “Churchill”. Os ingleses já preparavam o “Cromwell”, um novo tanque, e os projetistas realizaram adaptações no “Churchill” tornando-o mais eficaz.

O “Churchill” MK III surgiu então, com uma torre redesenhada, um canhão de 6 libras e várias alterações mecânicas. E uma segunda chance foi permitida ao grandalhão. E na segunda batalha em El Alamein, em outubro de 42, um destacamento de 5 “Churchills” foi utilizado em um ataque a posições alemães, sob o nome de “King’s Force”. Esta é uma das opções de decal que o kit oferece. E mesmo sendo pesadamente bombardeados, 4 deles retornaram com sucesso. Um desses tanques sofreu mais de 80 disparos de canhões anti-tanque alemães. Em um dos combates, um MKIII destruiu um Tiger, com um tiro entre a torre e o casco, a tripulação abandonou o Tiger, que foi capturado pelos ingleses e hoje está exposto em Bovington.

O sucesso do “Churchill” foi seguido por várias outras versões sendo utilizado até o final da guerra. Algumas versões do “Churchill” foram utilizadas até a década de 70 pelo exército inglês.

O Kit da AFV:

Quando foi anunciado, esse kit despertou um grande interesse, sendo ansiosamente aguardado. Esperava-se uma grande melhoria ao antigo kit da Tamiya. E foi o que aconteceu. O kit chegou trazendo muitas inovações características das novas tecnologias.

O que você recebe está na foto abaixo. São 394 peças de estireno verde, 14 peças transparentes, uma modesta folha de PE, um tubo de alumínio representando perfeitamente o canhão de 6 libras, 22 pequenas molas de metal, uma cordinha, dois elos da lagarta de vinil, e a lagarta de vinil. Ainda, recebemos o manual de instruções, uma folha de decais, e um pôster em formato A4 com a imagem da tampa da caixa.

O kit representa a versão MKIII, compreendendo as versões iniciais repotencializadas e as posteriores, “mid” e “late” que sofreram pequenas alterações.

As molas são utilizadas para representar a suspensão do “Churchill”, não são funcionais, apenas utilizadas para representar fielmente a suspensão. Na montagem, elas são encaixadas em uma peça de estireno, será necessário a utilização de SuperBonder.

As transparências são muito bem injetadas, e não há sinais de rebarbas. Um excelente trabalho por aqui.

A pequena folha de PE traz algumas melhorias que dificilmente seriam replicadas pelo plástico, mas poderia conter inúmeras outras peças. Achei a oferta de PEs muito modesta, e poderia ser estendida. Os PEs parecem ser de boa qualidade, sem serem demasiados moles ou duros.

Os decais são o que se poderia esperar de um kit novo. Filme fino, e bom registro.

As peças de estireno são muito bem injetadas. Virtualmente, não existem rebarbas. As marcas de injeção são bem escondidas, e há pouco trabalho a ser feito na limpeza das peças pequenas. Um trabalho formidável.

Entretanto, um velho hábito da AFV está ainda presente nesse kit. Os detalhes são sumariamente simplificados. Detalhes como parafusos e porcas são simplificados ao extremo nos kits da AFV. Kits da Tamiya de quase 10 anos atrás representam melhor esses detalhes do que esse novíssimo “Churchill”. Repare nessa foto como os parafusos da escotilha são simplificados.

Aqui, as porcas são peças tão simples que exigem uma atenção ao modelista.

Esta peça, o fundo da torre traz uma tampa de uma antiga escotilha que pouco representa a solidez e robustez do real.

Apesar desta característica, as peças são muito detalhadas. Há pequenas montagens para vários conjuntos, e atenção especial é dada a suspensão do kit.

A armadura que cobria a suspensão é também muito bem representada, com vários detalhes expostos: certeza de diversão ao modelista.

A torre é muito bem representada, as marcas de solda são muito bem reproduzidas. Sua aparência representa a imponência que esses tanques tinham. O canhão de alumínio é muito bem torneado, e representa fielmente o canhão de 6 libras. Uma excelente adição ao kit.

A utilização de “Slide Molds” torna os detalhes mais acentuados, uma maravilhosa vantagem ao antigo kit da Tamiya. Veja na foto abaixo:

As esteiras de vinil representam bem os detalhes, um belo trabalho, apesar de conter alguns pinos de injeção. As esteiras ficam bem escondidas neste kit, em baixo das armaduras laterais. Não vejo necessidade de trocar as lagartas por sets link-by-link. Aparentemente, essas lagartas exigiram uma atenção um pouco maior do modelista. Ao invés de conter os pinos para montagem, a junção é lisa e precisará de um reforço para não romper. Como a lagarta ficará oculta pela blindagem lateral, recomendo a utilização de um grampeador na montagem.

Os decais oferecem 4 opções de pinturas. 3 representam veículos ingleses e uma veículos russos. Cerca de 300 “Churchils” foram entregues a Rússia como parte do acordo de leasing entre as potências aliadas.
- a primeira versão representa um dos tanques que compôs o “King’s Force”, o primeiro raid de “Churchil’s” em El Alamein, em 42.
- a segunda versão é do exército russo, com pintura de inverno.
- a terceira versão é de um tanque aquartelado na Inglaterra, com bonitos escudos coloridos.
- a quarta, um tanque na Tunísia, o “Cyclops”.

As folhas de instruções são muito bem desenhadas, verdadeiramente, auxiliando o trabalho do modelista. Infelizmente alguns fabricantes tem se empenhado pouco em suas instruções, oferecendo pouca ajuda. As da DML chegam a propor verdadeiras charadas. As instruções deste kit são muito claras e oferecem fotografias do veículo real para ajudar durante a montagem. Excelente trabalho.

Acho que as versões propostas pela folha de decal poderiam ser detalhadas e até apresentadas ao modelista, coisa que a Tamiya tem feito nos seus kits mais recentes.

Enfim, esse kit é um avanço substancial as antigas opções no mercado, traz as inovações tecnológicas, peças muito bem injetadas, e muito material multimídia. O canhão é de excepcional qualidade, as esteiras embora de vinil representam muito bem os detalhes, e ainda há os PEs para enriquecer ainda mais os detalhes. É um kit fabuloso que todo modelista de tanques aliados deve ter.

Obrigado a HOBBY EASY pelo modelo deste review.


Kit ofertado pela HobbyEasy
 
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Clique nos links para ir a pagina.

Notícias e Reviews Anteriores

Ultimas do Forum