S.E.5a Wolseley Viper Eduard 1/48 Profipack #82131
Escrito por Francisco Eduardo Mendes   
Seg, 17 de Abril de 2017 00:10

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S.E.5a Wolseley Viper Eduard 1/48 Profipack #82131

Introdução

O Scout Experimental 5 (S.E.5) foi um dos mais importantes caças britânicos da fase final da I Guerra Mundial. Projetado por uma equipe do Royal Aircraft Establishment em torno do novo motor V8 Hispano Suiza 8A, de 150 HP, seu primeiro vôo foi em novembro de 1916. Problemas iniciais com o motor ainda em desenvolvimento e com a estrutura das asas causou alguns acidentes graves, o que retardou a sua entrada em serviço até abril de 1917, exatos cem anos atrás.

O Esquadrão 56 foi o primeiro a receber o S.E.5. Albert Ball, um dos seus pilotos mais destacados, foi instrumental no desenvolvimento do novo avião ao introduzir junto com o seu mecânico diversas modificações que depois foram adotadas pela fábrica - um pouco como Roland Beaumont faria anos depois com o Hawker Tempest na II Guerra. De fato, a relação de Ball com o S.E.5 foi bastante conturbada: ele inicialmente afirmou que o novo avião era "inadequado", provavelmente porque ele próprio defendia um projeto da Austin no qual tinha participação direta. Sob ordens, Ball trabalhou intensamente na modificação do S.E.5 e acabou perdendo a vida em um deles meses depois, num acidente nunca totalmente esclarecido.

A disponibilização em meados de 1917 do aperfeiçoado Hispano Suiza 8Ab, de 200 HP, mais as modificações propostas em campo, levaram ao novo modelo S.E.5a, a variante definitiva do Scout Experimental 5.

Os 8Ab apresentaram diversos problemas, especialmente na caixa de redução o que causou diversos acidentes, não só entre os S.E.5a mas também entre outros usuários do motor, como os SPAD XIII e os Sopwith Dolphin. A produção desses motores também sofreu atrasos e com isso houve também atrasos na entrega de aeronaves para o front. A fábrica de motores e automóveis inglesa Wolseley recebeu a licença para fabricá-lo na Inglaterra (com o nome Adder) e em seguida preparou uma versão revisada e mais confiável desse motor, que ganhou o nome Wolseley Viper. O Viper era facilmente identificável pelo radiador mais “retangular” que os Hispano Suiza e equipou boa parte da produção final dos S.E.5a. Outra característica marcante do Viper foi a eliminação da caixa de redução, o que fez com que a hélice passasse a girar no sentido anti-horário - ao contrário dos "Hisso" anteriores cujas hélices giravam no sentido horário. Ao final, foram construídos 5.265 desses aviões. Muitos sobreviveram à Grande Guerra e prestaram relevantes serviços até bem dentro dos anos 20 tanto nas nascentes forças aéreas de diversos países quanto no mercado civil.

Em função dos atrasos na entrega das aeronaves, a introdução do S.E.5a foi retardada e deixou espaço para outros tipos como o Sopwith Camel se consolidarem no inventário do RFC. Somente mais para o final de 1917 é que os S.E.5a atingiram números significativos nas unidades combatentes.

O S.E.5a era por concepção de projeto um avião intrinsicamente estável, o que o fazia uma ótima plataforma de tiro, além de perdoar muito mais eventuais erros do piloto. Por outro lado, o Camel era famoso por sua extrema maneabilidade e infame pelo perigo que representava para pilotos novatos, muitos vítimas do estreito envelope de vôo do caça da Sopwith. Essas características, somadas à qualidade estrutural que lhe conferia a capacidade de mergulhar em alta velocidade e resistir a danos pesados em combate, tornaram S.E.5a o avião predileto de muitos ases e, compreensivelmente, dos pilotos menos experientes. Para atingir os melhores resultados, as táticas para o emprego do S.E.5a basicamente envolviam o “climb and zoom”, aproveitando a maior velocidade e evitando o combate em curvas tão em voga na época.

Para completar esta introdução, algumas imagens de S.E.5a obtidas na Web, representando as opções oferecidas neste kit:

 A  B  C
 D  E

 

O Kit

A Eduard lançou este kit totalmente novo em março passado, embaixo de uma grande expectativa dos fãs da aviação da Grande Guerra, que comemora o seu primeiro século.

A primeira edição do kit, como de costume, é uma Profipack, composto de duas árvores de peças em estireno cinza e uma árvore de peças em estireno transparente, uma folha de peças em metal fotogravado (várias delas pré-pintadas), uma folha com máscaras adesivas para facilitar fases da pintura, uma folha com decais que permitem decorar uma de cinco versões possíveis e um folheto colorido de instruções com 20 páginas. Somente não acompanham este kit as linhas necessárias para se fazer o cabeamento do avião, além é claro das colas e tintas e de uma figura do piloto, normalmente omitida em kits da Eduard. A caixa segue o novo padrão da Eduard para kits desse porte, um pouco mais espaçosa que as anteriores e decorada com uma belíssima gravura emoldurável do S.E.5a C1096 do Tenente H.J. Burden do Esquadrão 56 abatendo um bombardeiro alemão.

 

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E o que encontamos na caixa?

A árvore de peças A traz as duas asas, moldadas cada uma em uma única peça com os ailerons separados, e mais os elementos da empenagem e do trem de pouso. O leme de direção e os profundores também são separados e posicionáveis. Dois tipos de profundor são oferecidos, um das séries de produção mais antigas (A30 e A31) e o outro representativo das séries finais (A5 e A6). A “corcova” localizada atrás do piloto que servia como apoio da cabeça também está nessa árvore (A22), mas não é aplicável a todos os exemplares. Cheque as suas referências a respeito e não esqueça de preparar a furação para receber essa peça, caso necessária. Dois estilos de pernas do trem de pouso também são oferecidas - uma, menos reforçada, somente é aplicável aos primeiros S.E.5a. A riqueza e a qualidade dos detalhes surpreende: as costuras da entelagem são finamente reproduzidas e até as roldanas dos comandos dos ailerons e profundores, visíveis no avião por meio de janelinhas de inspeção transparentes, estão presentes.

 

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A árvore B traz as metades da fuselagem, o interior do cockpit, o motor, radiador e capota, hélice, escapamento e demais detalhes miúdos. Examinando essa árvore, depreende-se que ela já traz as peças necessárias para montar outras versões do S.E.5, incluindo as "Hisso" com o motor Hispano Suiza e seu radiador característico, assim como três hélices diferentes (de duas pás, dextrogira e levogira e a quadripá), perfazendo um conjunto bastante completo e que será sem dúvida aproveitado em lançamentos futuros. 

 

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A Árvore C, em estireno transparente, traz dois tipos de parabrisas, o “tubo” da mira Aldis e várias janelas de inspeção. No meu exemplar as peças estão absolutamente perfeitas.

 

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A folha de fotogravados traz os ubíquos cintos de segurança, aqui uma versão rudimentar dos Sutton de 4 pontos que equipariam os aviões britânicos até os anos 40 e que, segundo algumas fontes não é o correto para aviões que combateram na I Guerra. O painel de controle é pré-pintado em um tom de creme, com diversos instrumentos em separado. Essa configuração facilita o acabamento do painel, que deve ser pelas fotografias disponíveis num tom de madeira clara, como o pinho. Outras peças em fotogravado são os gatilhos das metralhadoras incorporadas ao manche, as alavancas do acelerador e do controle de mistura, a roda do ajuste do plano de cauda, acabamento para os tambores de munição da metralhadora Lewis, diversas molduras para as janelas de inspeção, alavancas e manivelas diversas, acionadores das superfícies de comando, etc. A folha realmente agrega bastante valor ao kit, e será um must-have para que desejar uma réplica de alto nível, embora com as peças em estireno e alguma habilidade também seja possível montar um grande modelo.

A folha de máscaras facilita sobremaneira o trabalho de pintura das rodas, parabrisas e das janelas de inspeção. Uma adição sempre interessante pois economiza um trabalho abominado por vários modelistas, inclusive eu.

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A folha de decais, impressa de forma impecável pela Cartograf italiana, permite decorar o kit com qualquer uma das cinco opções propostas:

 

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A. C1096, Ten. H. J. Burden, No.56 Squadron, Valheureux, França, primavera de 1918

B. F8146, 27th Aero Squadron, EUA, 1922

C. F8953, 2º Ten. S. C. Elliot, 85th Squadron, Ascq, França, Dezembro de 1918

D. F8038, 25th Aero Squadron, Novembro de 1918

E. C1149, Cap. D. W. Grinnell-Milne, No.56 Squadron, Bethencourt, França, Janeiro de 1919

Os aviões ingleses sempre foram notáveis pela monotonia dos seus esquemas de pintura. Desta vez a Eduard se esforçou e nos propõe até um S.E.5a de fuselagem vermelha (E), além de dois exemplares americanos, um em serviço na I Guerra (D) e outro que serviu nos EUA após a Guerra (B). Os esquemas A e C são, respectivamente, representativos da primeira série e de uma série final dos S.E.5a “Viper”.

A folha de instruções segue o costume da Eduard, muito bem acabada e ilustrada. Você pode acessá-la para download seguindo este link. Uma novidade bacana no site da Eduard é uma animação da montagem em CAD, disponível no YouTube e que pode ser bastante útil para dirimir dúvidas sobre a montagem do kit. Veja o video aqui

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Conclusão

Estou bastante bem impressionado com este kit. O S.E.5a sempre foi um favorito meu entre os aviões da I Guerra e gostei muito de a Eduard ter se lembrado dele, tanto que fui o primeiro aqui na Associação a me candidatar para fazer este review. Creio que finalmente temos um rival para o kit da Roden nesta mesma escala, que reinou absoluto por muitos anos e é muito bacana, mas famoso por sua engenharia um tanto complexa.

A montagem do kit anuncia-se bastante fácil e direta, com os desafios habituais dos aviões da I Guerra, como a pintura de várias superfícies replicando madeira envernizada, o perfeito alinhamento das asas e a aplicação do cabeamento. Hoje, com os decais replicando madeira e as novas linhas elásticas, algumas dessas dificuldades tornaram-se menores, viva o progresso. De fato, kits como este são parte desse progresso.

A partir desse exame do que é oferecido na caixa, posso recomendar fortemente este kit para os entusiastas da aviação da I Guerra na escala 1/48, com a ressalva de que é recomendável trazer na bagagem alguma experiência com biplanos e com o cabeamento.

 

Em tempo, 

Simultaneamente a este kit a Eduard também lançou uma série de acessórios na linha Brassin, incluindo os dois tipos de hélice bipá (uma girando para a direita e outra para a esquerda), armamento e o radiador dos Wolseley Viper. Uma interessante folha de fotogravados também foi lançada, contendo os diminutos esticadores para o cabeamento do avião para um maior realismo do modelo. O nosso review desses acessórios pode ser acessado neste link.

Seguindo a tradição, a Eduard também disponibiliza por tempo limitado e somente no seu site uma edição Overtree deste kit (82131X), contendo apenas as mesmas peças em estireno deste kit, e um Overlept (82131-LEPT), contendo as mesmas peças em fotogravado deste kit. Combinando ambas e mais os decais à escolha do modelista é possível montar este mesmo kit por uma fração do preço desta edição Profipack.

 

Veja os acessórios para este kit

 

Obrigado à Eduard pelo envio dos exemplares para review!

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