P-47D Dottie Mae 1/32 – Eduard 1103 (Série Limitada Eduart)
Escrito por Eduardo Mendes   
Seg, 13 de Março de 2017 00:20

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P-47D Dottie Mae 1/32 – Eduard 1103 (Série Limitada Eduart)

 

Introdução

Para o terceiro exemplar da série limitada Eduart (com uma tiragem de apenas 2000 exemplares), a Eduard nos apresenta desta vez o clássico kit 1/32 da Hasegawa do P-47D bubbletop, acrescido de um jogo de rodas Brassin, fotogravados, máscaras e decais impressos pela Cartograf que permitem decorar o modelo com três opções, todas muito atraentes. Completando o pacote, dentro da proposta da série, uma belíssima gravura em tamanho A2 desenhada pelo renomado artista de bandes dessinées francês Roman Hugault.

Dottie Mae? Dottie Mae é o "nome" um P-47D -28RA que foi perdido por acidente nas últimas horas da II Guerra, ao tocar a hélice nas águas de um lago austríaco e nele mergulhar. Foi o último P-47 perdido em uma missão de combate no Front Europeu e seu piloto sobreviveu para ser capturado e pouco depois libertado. O Dottie Mae foi localizado numa batimetria décadas depois, retirado das águas do lago em 2005 e está em processo de meticulosa restauração nos EUA (mais detalhes em http://www.alliedfighters.com/dottie_mae.php). O 42-29150 ostentava uma interessante nose art baseada em um desenho de Vargas, e foi pintado em homenagem à esposa do tenente Larry Kuhl, na forma de uma bela moça vestida de Mamãe Noel . O tenente Kuhl servia então no Esquadrão 511 da 9ª Força Aérea Americana, no final de 1944.

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O Kit

A escolha do kit-base faz sentido, na minha humilde opinião. O kit Hasegawa foi lançado em 2007, praticamente ao mesmo tempo que o kit da Trumpeter que é atualmente o seu concorrente direto na escala. Ambos almejavam substituir o vetusto P-47 1/32 da Revell dos anos 1960, até então a única opção do mercado (a propósito deste kit da Revell, ele foi por vários anos um sonho meu de consumo, pois podia-se (?) fazer um P-47 da FAB em grande escala. O kit da Hasegawa apresenta um excelente custo-benefício, monta bem e fácil e tem bom espaço para melhoramentos – onde entra a expertise da Eduard com suas resinas e fotogravados. Essa combinação tem tudo para dar certo. Não conheço muito o kit da Trumpeter, pelo menos com esse olhar de reviewer que procura algo além daquela olhadela no kit que está na caixa de um amigo ou montado na mesa de uma exposição. O que dizem os conhecedores é que o kit da Trumpeter é mais rico em detalhes, mas perde na facilidade de montagem e é consideravelmente mais caro.

A caixa é imponente (mede 51x30x10 cm) e abriga confortavelmente todos os componentes. Uma belíssima ilustração (a do poster) ocupa toda a tampa da caixa, com exceção de um (discreto) logo da série Eduart, o que a faz séria candidata a também ser emoldurada.

Dentro da caixa temos um kit completo fabricado pela Hasegawa enriquecido, por vários mimos da Eduard. Um primeiro porém (felizmente são poucos) desta edição é que todas as 7 grandes árvores de peças (com exceção das transparências) vêm embaladas em um mesmo saco plástico selado, algo fora do padrão atual de embalagem da Eduard. Esse arranjo dá a impressão que as peças já vieram embaladas dessa forma do Japão e a Eduard limitou-se a recolocá-los nas caixas para expedição. O lado ruim desse procedimento de embalagem é que várias das peças acabaram arranhadas pelo atrito natural entre elas dentro do pacote. Nada muito grave, mas será um trabalho desnecessário e desagradável lixar e polir novamente as peças, especialmente se o modelista desejar um avião com acabamento em metal natural, que não perdoa esse tipo de imperfeição. Dado o preço do kit e o seu público-alvo, é difícil crer que a Eduard permita que peças arranhadas assim voltem a ocorrer em edições premium como esta.

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Não vou me estender muito sobre a “parte Hasegawa” deste kit, mas posso tecer alguns comentários destacando que num primeiro olhar o kit merece a boa fama que tem:

  • É um kit bastante abrangente, permitindo montar sem grandes alterações praticamente qualquer P-47D bubbletop da série D-26 em diante. Para isso ele traz diversas peças alternativas, as principais descritas a seguir.
  • A peça A18, que faz o assoalho do cockpit, é do tipo “liso”. Ou seja, não apresenta os reforços aparentes que davam uma aparência "corrugada" ao fundo do cockpit até a série D-25. Isto é coerente com as opções de decoração propostas pelo kit, que retratam um D-26 e dois D-28. De qualquer maneira, o “corrugado” dos D-25 e anteriores pode ser simulado com um pouquinho de trabalho e tirinhas de plasticard nos lugares certos – uma dica para quem quiser modelar alguns dos FAB com este kit como base;.
  • Uma fonte eterna de confusão nos P-47D são as hélices. O kit traz nada menos que quatro modelos de hélices diferentes, entre Hamilton Standard e Curtiss (árvores L, M, N e Q). As instruções do kit aparentemente indicam as hélices corretas para cada opção de decoração, mas conferir com documentação e fotos é sempre bom. O positivo é que as hélices estão lá para quem precisar, e aparentemente são bastante corretas.
  • Outro ponto de atenção é a existência de freios aerodinâmicos (dive flaps), instalados nos P-47 a partir do D-30. A instalação desses flaps também deslocou o farol de aterragem para perto da ponta da asa. O kit traz peças para fazer ambas as opções, cheque as suas referências, embora nesta edição somente seja previsto o uso das peças da árvore G (as da árvore F são para os D-30 em diante);
  • A peça D34 faz a quilha dorsal (item de fábrica a partir dos D-30, mas instalada em campo em boa parte dos bubbletop em serviço ativo). Esta peça não é usada em nenhuma das opções oferecidas nesta edição;
  • Duas opções de tanques suplementares são oferecidas, bem como um par de bombas, nada muito especial. Provavelmente será interessante adquirir esses itens como aftermarket (a Eduard, por exemplo, já oferece os lança-foguetes tipo “bazooka” em resina).
  • Para os apreciadores, o kit traz uma árvore com um piloto muito bem moldado em 7 peças (e mais um tubo de oxigênio). O rosto do piloto lembra (será de propósito?) o Gabreski.
  • No geral, as peças são muito bem formadas, praticamente não há rebarbas ou linhas de moldagem. Embora tenha verificado algumas áreas com marcas de encolhimento do plástico (sinkmarks), na fuselagem e nas asas, já exaustivamente descritas por outros reviewers. A informação é que esses pequenos defeitos não foram eliminados nesta nova fornada do kit base. É importante destacar que se essas marcas podem ficar perceptíveis, especialmente em modelos com acabamento em metal natural, por outro lado devem ser facilmente corrigidas com um pouquinho de massa, lixa e trabalho;
  • As transparências são muito bonitas, finas e sem induzir grandes deformações. O kit traz peças diferenciadas para montar o canopi aberto ou fechado. Nessa árvore também temos as lentes para o farol de pouso, as luzes de identificação e as lentes das luzes de navegação (as pontas das asas podem ser pintadas ou recortadas para receber as lentes transparentes, dependendo da vontade do modelista).

 

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E o que a Eduard acrescentou a esse kit?

  • Resinas. A Eduard oferece um jogo de rodas Brassin, incomparavelmente melhores que as do kit. As fotos falam por si. As “calotas” são separadas, e devem ser vazadas de modo a deixar ver o interior dos cubos. Pela espessura da moldagem, translúcida contra a luz, pode-se ver que será necessário apenas um rápido golpe de lixa por trás para destacar as “tampas”, que de tão bem feitas parecem ser parte do kit. Sim, a roda da bequilha também está incluída. Uma grande adição que agrega bastante valor ao kit.
  • Fotogravados. Duas folhas de fotogravados com a habitual qualidade da Eduard são oferecidas. Uma, colorida, serve basicamente para detalhar o cockpit e inclui painel de controle, painéis auxiliares, cintos, alavancas diversas, placares, a tampa da caixa de mapas, etc. A segunda folha, em latão, traz uma infinidade de detalhes para o motor, exterior e interior – incluindo um assento completo para o piloto.
  • Máscaras. Um pedaço de fita kabuki cortada a laser que adianta muito o trabalho do modelistas, evitando o complexo e muitas vezes frustrante trabalho de mascarar canopis e rodas. Adição obrigatória para qualquer kit moderno.
  • Decais. Impressos pela Cartograf, são magníficos em termos de definição, saturação e alinhamento de cores. A escala ajuda, mas é fato que todos os estênceis são claramente legíveis. A escolha das 3 opções de decoração foi de muito bom gosto: a primeira é o próprio “Dottie Mae”, a segunda é um D-26 em olive drab / neutral grey que tem uma belíssima cabeça de lobo pintada e o nome Whoooooo. A terceira opção é um D-28 em metal natural e detalhes em azul com um nude feminino em frente a um gigantesco coração e o sugestivo nome “Pilot’s Dream IV”. Todos os três operaram na 9ª Força Aérea americana no teatro europeu, nos últimos meses da Guerra. Difícil escolha, sem dúvida.
  • Instruções. A folha de instruções segue o padrão da Eduard, em papel de alta qualidade e impecavelmente impressa a cores. Aqui, apenas uma observação, a versão impressa omitiu uma orientação para a colocação dos estênceis, que são muitos e nem todos os modelistas têm referências suficientes para saber aonde o que vai. A Eduard já percebeu o problema e disponibilizou uma folha para imprimir no seu site.
  • E o poster, claro!. Que vai ficar emoldurado na Sede da Associação, junto com os outros da série Eduart. Uma belíssima coleção!

 

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Conclusões

A Eduard conjugou nesta edição limitada alguns dos seus pontos fortes, pesquisa e acessórios, a um kit reportadamente fácil de montar e bastante acurado. A sinergia entre ambos pode dar uma ótima química, que pretendo testar o quanto antes.

Já na próxima semana levarei este exemplar para a bancada para ver como me adapto à “large scale”, escala na qual a minha última montagem remonta meados dos anos 1970... enfim, se examinar o kit para este review foi capaz de me motivar a voltar à 1/32 depois de tantos anos, creio que ele também despertará sentimentos positivos na grande maioria dos modelistas. Sem dúvida é uma edição cara, mas os mimos acrescentados praticamente cobrem todas as eventuais deficiências do kit Hasegawa e podem resultar num modelo muitíssimo atraente. E ainda tem o poster, muito bacana.

 

 Clique no poster para ampliar

 

Baseado no que vi na caixa, recomendo-o fortemente para todos que tenham um mínimo de experiência com resina e fotogravados, além de espaço na bancada para trabalhar nele (e depois guardar o modelo pronto, que ficará enorme).

 

Obrigado à Eduard pelo envio do exemplar para review!

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