Spitfire Mk. XVI 1/48 Dual Combo – Eduard 1/48
Escrito por Eduardo Mendes   
Dom, 19 de Julho de 2015 00:00

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Spitfire Mk. XVI 1/48 Dual Combo – Eduard 1/48

 

O Spitfire XVI

A diferença básica entre os Spitfires IX e os XVI era o motor. De resto, salvo pequenas adaptações para acomodar por exemplo um novo intercooler e alguns detalhes nas conexões do motor ao nariz do avião, os Spitfiress IX e XVI eram basicamente iguais. O novo motor, chamado de Merlin 266, porém, era suficientemente diferente do Merlin 66 que equipava os LF Mk.IX que justificava-se um “mark” diferenciado, pelo menos para evitar problemas de manutenção e logística que poderiam surgir nas unidades caso os tipos fossem misturados.

Uma verdadeira obra-prima de engenharia mecânica, o motor Rolls Royce Merlin assumiu um papel fundamental para a Aviação Britânica e para o esforço de guerra aliado desde os primeiros momentos da II Guerra Mundial. Várias das principais aeronaves de combate britânicas (para citar alguns dos mais importantes, o Spitfire, o Hurricane, o Mosquito e o Lancaster) demandavam quantidades cada vez maiores de Merlins de várias versões, cada uma com um emprego específico.

A indústria britânica, ameaçada constantemente pelos bombardeios alemães (que se transformaram numa dura realidade nos meses da Batalha da Inglaterra) não tinha muita perspectiva de atender a todos os pedidos em tempo, quantidade e qualidade suficientes.

Uma saída imediata foi buscar o que hoje chamamos de outsourcing. Uma missão foi enviada aos Estados Unidos ainda em 1940 para negociar a produção de Merlins do outro lado do Atlântico, aproveitando a enorme capacidade fabril americana. Primeiramente foi tentado um acordo com a Ford, recusado, segundo consta, pelos pendores isolacionistas de Henry Ford que não desejava fornecer equipamentos aos ingleses enquanto os Estados Unidos permaneciam fora do conflito. A segunda opção foi a Packard, que aceitou o desafio.

Um grande problema encontrado foi a diferença de filosofias de fabricação. Enquanto os ingleses montavam cada Merlin praticamente a mão, confiando em seus “fitters” altamente gabaritados para o ajuste preciso das quase 14.000 peças que constituíam o motor, o sistema americano de produção em massa exigia tolerâncias muito mais rígidas para a montagem em massa, o que levou a Packard a praticamente redesenhar todas as plantas do motor. O resultado foi a produção em massa de um motor de qualidade, porém não plenamente compatível com seus similares fabricados na Grã-Bretanha.

Por volta de 1942 os primeiros Packard-Merlins começaram a ser entregues, baseados nos Merlin XX com o supercompressor de duas velocidades e um estágio. Esses motores equiparam Lancasters B.III e Curtiss Kittyhawks (P-40 F).

A fase seguinte do projeto seria a fabricação da nova geração de Merlins com o supercompressor de duplo estágio, da série 60. Os americanos novamente readequaram as plantas dos Merlins ingleses e introduziram algumas modificações nas engrenagens do conjunto supercompressor, fazendo-os ainda mais eficientes e resistentes. Uma versão especial para grandes altitudes, baseada inicialmente no Merlin 63, equiparia os P-51 Mustang e uma versão otimizada para baixa altitude, baseada no Merlin 66, equiparia os Spitfires XVI.

Os Mk.XVI foram empregados amplamente pela 2ª Tactical Air Force II TAF), em missões de ataque ao solo, interdição, etc, e permaneceram no inventário da RAF nos primeiros anos do pós-Guerra, até serem substituídos aos poucos pelos Vampires e outros jatos.

Diversos aperfeiçoamentos (vários deles desenvolvidos para os Spitfire VII/VIII) foram introduzidos aos poucos na produção dos XVI, entre os quais a fuselagem cortada com a capota em bolha de amplo raio de visão, vários reforços estruturais, asas de pontas cortadas para melhor rolagem em baixas altitudes, cabides para bombas, rodas e pneus especiais para pistas pavimentadas, etc. Vários desses desenvolvimentos também foram incorporados aos Mk.IX que ainda estavam porventura em produção, o que não permite a identificação visual direta entre os IX e os XVI exceto pelo número de série, pela plaquinha do motor e pela caderneta de vôo. A boa notícia é que um kit de XVI pode fazer um bom Mk.IX das últimas séries...

 

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O Spitfire XVI do Vice Marechal do Ar Sir James Robb, em 1948 (esquema de pintuda "D" do kit). 

 

O Kit

A base do kit é a mesma da consagrada família de Spitfires Merlin séries 60-70 da Eduard (IXc, IXe, VIII e agora o XVI), que dispensa maiores comentários sobre detalhes, ajuste e acurácia.

Desta vez, a Eduard nos oferece uma caixa “Dual Combo”, a partir da qual pode-se montar dois Spitfires XVI completos em uma gama bastante abrangente de variantes, combinando:

  • Um com a fuselagem “cortada” e a capota em bolha (“bubbletop”) e
  • Um com a fuselagem convencional “high back”;
  • Uma asa “E” com a caixa de rodas aumentada por uma “bolha” para receber as rodas de 3 raios e pneus diferenciados para pistas pavimentadas, mais comuns no Pós-Guerra, e
  • A asa “E” convencional, mais comum nos últimos meses da II Guerra;
  • Asas com as pontas cortadas (“clipped”) ou
  • Asas com pontas convencionais (elípticas)

Para isso, o kit compreende:

  • Uma árvore inédita (L) para fazer o bubbletop, uma com a nova fuselagem, etc;
  • Uma árvore inédita (K) com a asa com a caixa de rodas revisada;
  • Uma árvore de transparências inédita (J) com a capota em bolha e a mira Mk.II “acemaker”.
  • Dois pares de árvores (F e G) contendo as peças comuns a todas as versões da família,
  • Duas árvores de asas “e” com a caixa de rodas sem a “bolha” (D);
  • Uma árvore com uma fuselagem high back (E);
  • Uma árvore com as transparências “convencionais” para a fuselagem high back (A);
  • Duas folhas de fotogravados, uma para cada um XVI bubbletop e outra para um high back;
  • Uma folha de máscaras para as transparências;
  • Uma folha de decais com as marcações para 8 versões diferentes, 5 bubbletops e 3 high back;
  • Duas folhas de decais, cada uma com estênceis específicos para cada um dois tipos básicos.

 

 L1  K1  F1  J1
 E1  D1  G1  A1
 PES  MASK  DEC

Enfim, uma combinação extremamente abrangente que permitirá a montagem acurada de praticamente qualquer Spítfire XVI que se deseje. Apesar de recebermos no kit um par de bombas e os respectivos cabides, muito comuns nos Spitfires da II TAF, sentimos falta dos foguetes ar-solo que também foram usados nos meses finais da Guerra. Espero que esse seja um lançamento para breve, provavelmente na linha Brassin.

Como de costume, a pesquisa foi bastante bem feita e peças importantes dos Mk.XVI como os profundores com revestimento metálico, as rodas de 3 raios com pneus especiais para pistas pavimentadas e as "bolhas" nas asas para acomodá-las, a caixa da cremalheira que aciona o fechamento do canopi e os cintos de segurança tipo “Q” dos bubbletop estão todos bem representados, dispensando maiores detalhamentos. Para a versão high back, o kit é essencialmente o mesmo do Mk.IXe, pois não há, como dissemos, diferenças notáveis que não as mecânicas que não aparecem visualmente.

 l5  R1  B1  B2
 F2  ANT  SB1  SB2

 

Para os muito exigentes, a Eduard oferece uma folha de fotogravados (49725), flaps “arriados” (48849), painéis diversos para serem mostrados abertos (48850), cintos “Q” da linha “Fabric” (49083) e um conjunto completo para o cockpit em resina e metal (Brassin 648206) que adicionam ainda mais detalhes a um kit que já é bastante satisfatório para a escala.

Infelizmente a qualidade da moldagem/injeção das árvores novas já não é mais a mesma das edições antigas dos Spitfires Eduard. Embora precisas nas formas gerais, o acabamento da superfície das novas árvores “I” e “J” é mais granulado e os detalhes são um pouco menos definidos. Mas não creio ser nada que desabone o kit. Uma passada suave de lixa ou mesmo uma boa camada de tinta farão essas superfícies ficarem uma aparência muito boa.

A qualidade do meu exemplar da capota em bolha (peça J10) também deixou um pouco a desejar. São visíveis microtrincas que refratam a luz de forma insatisfatória, como se a peça tivesse sido submetida a algum esforço na desmoldagem ou maltratada na embalagem. Esse problema é impossível de ser resolvido com tratamentos convencionais como polimento ou um banho em Future. A solução para um modelista muito exigente pode ser, infelizmente, trocar a peça por outra ou mesmo uma em vacuform.

 

 LS1  ES1  CP1

 

As instruções desse “Dual combo” consistem em um livrinho tamanho A4 em papel couché e impressão a cores, apresentando dois “capítulos” completos com guias das árvores de peças e cores e instruções de montagem separadas para o bubbletop e para o high back. Completa o livrinho um guia de pintura com esquemas a cores das oito versões oferecidas e um guia para o posicionamento correto dos estênceis. E uma breve história da aeronave, em inglês e checo. Perfeito!

Você pode acessar as instruções deste kit neste link.

 inst1  inst2

 

Opções oferecidas

Bubbletops:

A - TD341 (2I-V), No. 443 Squadron (RCAF), Uetersen airfield, Alemanha, Agosto de 1945

B - TB900 (DG-E “Winston Churchill”), No. 349 Squadron, Wunstorf, Alemanha, Verão de 1945

C - TD240 (WX-V), S/Ldr. Boleslaw Kaczmarek, No. 302 Squadron, Varrelsbuch Air Field, Alemanha, Verão de 1945

D - SL721 (J-MR), Metropolitan Communications Squadron, AVM Sir James Robb, 1948

E - SL718 (RAS-D, “6”), No. 612 Squadron RAuxAF, Cooper Air Race, Elmdon Air Base, Julho, 1949

High Backs:

F - RR227 (9N-R), S/Ldr. Otto Smik, No. 127 Squadron, Grimbergen Airfield, Bélgica, Novembro de 1944

G - TB752 (KH-Z), S/Ldr. Henry Zary, No. 403 Squadron, Bélgica, Abril de 1945

H - TB300 (PS-T), G/C Stan Turner, No. 127 Wing, Bélgica, Abril de 1945

 

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 e5  e6  e7  e8

 

 

Conclusões

Mesmo com a pequena mas perceptível queda na qualidade das moldagem das peças inéditas (árvores K e L) com relação a lançamentos anteriores dentro da mesma família pela Eduard, o kit continua sendo com facilidade a melhor escolha na escala 1/48 para se fazer um Spitfire XVI. A facilidade da montagem, a ampla gama de opções e a riqueza de detalhes são a garantia de muita satisfação para modelistas de todos os níveis. Fortemente recomendado!

 

Acesse também o nosso review para os diversos acessórios da Eduard para este kit neste link

 

 

 Agradecemos à Eduard pelo envio do exemplar para review.

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